Morre o camarada Jaimão, um dos personagens centrais da luta contra a ditadura militar de 64

Faleceu na manhã deste domingo um personagem histórico da esquerda brasileira: Jaime Wallwitz Cardoso, o Jaimão. Vascaíno, poeta e, acima de tudo, militante político, ele foi um dos 70 presos da ditadura trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971. Como medida extrema para fazer frente ao horror imposto pelo governo aos opositores do…

Faleceu na manhã deste domingo um personagem histórico da esquerda brasileira: Jaime Wallwitz Cardoso, o Jaimão. Vascaíno, poeta e, acima de tudo, militante político, ele foi um dos 70 presos da ditadura trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971. Como medida extrema para fazer frente ao horror imposto pelo governo aos opositores do regime, o diplomata fora sequestrado por grupos de esquerda no período mais tenebroso da truculência comandada pelo general Emílio Garrastazu Médici, o terceiro presidente-impostor do período militar.

Em 2001, Jaime e Alfredo Sirkis promoveram encontro no tradicional Café Lamas, reduto da boêmia carioca, para rememorar o fato histórico ocorrido havia 30 anos.

“É como uma reunião de turma”, afirmou ele ao lado de outros companheiros de luta, personagens da ação realizada por sete integrantes do grupo Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), liderada pelo lendário Carlos Lamarca, o capitão do Exército que abandonara a farda em 1969 para combater a ditadura.

Jaime foi presidente da Nuclep por 13 anos, nos governos Lula e Dilma e secretário geral do PSB. Também ocupou a secretaria estadual de Trabalho, no governo de Rosinha e a pasta de Governo, na gestão de Anthony Garotinho.

Ex-militante da VAR-Palmares, Jaime se exilou no Chile. Em 1973, com o golpe que derrubou Salvador Allende, foi para a Suécia, voltando ao Brasil após a Lei da Anistia. Foi companheiro de militância de Marighella, Lamarca, Dilma Rousseff, José Dirceu, Reinaldo Guarany, Jean Marc, Chico Mendes, Iuri e Alex Xavier da Silveira, Wilson Negão, Pedro Alves, José Duarte, Isolde Sommer, Nancy Mangabeira Unger, Rogério, Umberto Trigueiros Lima, Maria Auxiliadora Lara Barcelos e Ubiratan de Souza entre outros.

Jaimão lutava contra o câncer havia três anos e, nos últimos meses, seu quadro se agravou com a recidiva da doença. Casado com Liliam, deixa dois filhos, Iuri e Alex. O sepultamento será neste domingo, às 16h30m, no cemitério São João Batista, em Botafogo.

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