O pianista carioca Tomás Improta morreu neste domingo, aos 77 anos. Ele enfrentava um câncer na garganta. O velório está marcado para esta segunda-feira, a partir das 11h, no Crematório da Penitência, no Caju, na Zona Norte do Rio.
Considerado um dos pianistas mais criativos da música popular brasileira, Improta também atuou como arranjador, compositor e professor. Ao longo da carreira, participou de shows e gravações de artistas como Luís Melodia, Zezé Motta, Gal Costa, Djavan, Maria Bethânia, Chico Buarque, Nara Leão e Gilberto Gil.
O músico também trabalhou com Baden Powell, Elizeth Cardoso, Elba Ramalho, Sueli Costa e Jorge Mautner. Sua trajetória ficou especialmente marcada pela passagem por A Outra Banda da Terra, grupo que acompanhava Caetano Veloso em uma fase importante de sua carreira.
Parceria com Caetano Veloso
Improta participou de discos de Caetano como “Muito”, “Cinema Transcendental” e “Cores nomes”. Após a notícia da morte, o cantor homenageou o pianista e destacou a maneira espontânea como ele conduzia seu instrumento durante os shows.
Caetano afirmou que Tomás era uma pessoa importante em sua vida e lembrou que chegou a tentar estudar piano com o músico. Também recordou com carinho uma apresentação recente de Improta ao lado de seu filho, Zeca Veloso.
A relação entre os dois artistas ultrapassou os palcos. Para Caetano, o piano de Improta tinha liberdade e, ao mesmo tempo, uma conexão especial com o que acontecia durante cada apresentação da banda.
Carreira além dos palcos
A partir dos anos 1990, Tomás Improta passou a dedicar parte de sua trajetória ao ensino e criou a escola de música Cenário, em Botafogo. No mesmo período, começou a lançar trabalhos solo, entre eles “Tear”, “Bartok jazz”, “Certas mulheres” e “Dorival – Tomás Improta interpreta Dorival Caymmi”.
O pianista também lançou “Andrea Ernest Dias, Flauta – Tomás Improta, Piano”, “A volta de Alice” e “Olha pro céu”. Seu trabalho autoral chegou a receber reconhecimento, com “Tear” indicado ao Prêmio da Música Brasileira.
Filho do pianista e crítico de música clássica Eurico Nogueira França e da pianista erudita Ivy Improta, Tomás começou a tocar piano aos cinco anos. Mesmo sem aulas formais, venceu o Concurso de Iniciação Musical do Conservatório Brasileiro de Música e ganhou uma bolsa de estudos.
Legado na música brasileira
Na década de 1960, Improta se aproximou do jazz e da bossa nova e participou de grupos instrumentais. Paralelamente, trabalhou como professor de piano e jornalista. A carreira profissional como músico começou em 1970, com apresentações em casas noturnas e teatros.
Em 1980, foi apontado pelo Jornal da Música como o melhor tecladista do país. Seu grupo instrumental Mandengo também apareceu entre os destaques daquele ano.
Improta ainda criou a trilha sonora do filme “Bar Esperança” e participou de trabalhos ligados às novelas “Kananga do Japão”, da TV Manchete, e “Vila Madalena”, da TV Globo. Também esteve nos projetos “Doces bárbaros” e “Bahia de todos os sambas”, realizado em Roma, na Itália.
Livros e últimos trabalhos
Além da música, Tomás Improta deixou contribuições para o ensino. Ele publicou “Curso de Harmonia Popular” e “Aprendendo a ler música”, obra em que apresentou métodos para o aprendizado do teclado e reuniu mais de cem composições inéditas.
Nos últimos anos, o pianista continuou ligado à cena musical. Em 2025, participou do Brandão Baile Show, ao lado do baixista Arnaldo Brandão, seu companheiro dos tempos de A Outra Banda da Terra.
Em 2026, Improta também participou de um show de Uma Outra Banda, projeto formado por Arnaldo Brandão, Dadi Carvalho e Vinicius Cantuaria, músicos ligados à história da antiga banda de Caetano.
Arnaldo Brandão lamentou a morte do amigo e afirmou que tinha músicas inéditas que pretendia gravar com Improta. Os integrantes de Uma Outra Banda também prestaram homenagem ao pianista e destacaram sua importância na trajetória do grupo.
Veja o vídeo postado por Caetano:







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