Moraes pede extradição de ex-assessor acusado de vazar informações sigilosas

Defesa de Tagliaferro, denunciado pela PGR e atualmente na Itália, chama de perseguição a iniciativa e promete denunciar ministro no Parlamento Europeu

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou pedido de extradição de seu ex-assessor Eduardo Tagliaferro, que vive na Itália e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por quatro crimes. A solicitação já está em análise pelos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, responsáveis pelo contato com autoridades italianas.

Moraes encaminhou o pedido no início da semana, antes mesmo de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentar a denúncia contra o ex-assessor. Tagliaferro passou a ser investigado após reportagens da Folha de S.Paulo, em 2024, que revelaram a produção de relatórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por ordem de gabinete e via mensagens não oficiais, para embasar decisões do ministro no inquérito das fake news durante as eleições de 2022.

Acusações e denúncia da PGR

Na sexta-feira (22), a PGR denunciou Tagliaferro pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito. Ele já havia sido indiciado em abril pela Polícia Federal. O relator do caso é o próprio Moraes.

De acordo com a denúncia, o ex-assessor teria revelado informações confidenciais obtidas no período em que atuava junto ao ministro. A PGR também aponta que sua permanência na Itália e a intenção de apresentar denúncias contra Moraes no Parlamento Europeu demonstram alinhamento com organizações que promovem atos antidemocráticos no Brasil.

Um trecho do documento destaca que Tagliaferro “anunciou publicamente a intenção de revelar novas informações sigilosas e até lançou campanha de arrecadação de recursos para financiar seu intento criminoso”. Para a Procuradoria, esse movimento “atende ao propósito de incitar novos atos antidemocráticos e difundir notícias falsas contra a Suprema Corte”.

Defesa fala em perseguição

A defesa de Tagliaferro reagiu duramente à denúncia e ao pedido de extradição. Em nota, os advogados afirmaram ver com indignação “essa perseguição por verdades estarem sendo denunciadas”. Afirmaram ainda que o caso não é apenas uma “cortina de fumaça”, mas “um incêndio na Amazônia”, numa referência a supostos abusos revelados na chamada “Vaza Toga I e II” – série de vazamentos de mensagens de magistrados, em alusão à “Vaza Jato”.

O ex-assessor nega ter cometido qualquer irregularidade. Na ocasião do indiciamento, sua defesa declarou que ele “reitera, categoricamente, que não foi responsável pelo suposto vazamento” de mensagens de seu período no gabinete do TSE.

Repercussão política

As mensagens que vieram a público tornaram Tagliaferro uma figura popular em setores bolsonaristas, que acusam Moraes de atuar de forma parcial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. A divulgação dos diálogos reforçou a narrativa desse grupo político de que haveria perseguição por parte do STF.

A defesa do ministro, em nota enviada à Folha na época das revelações, afirmou que todos os procedimentos questionados eram oficiais, regulares e devidamente documentados nos inquéritos, com a participação integral da PGR.

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