Moraes manda abrir inquérito contra Flávio Bolsonaro por suspeita de calúnia contra Lula

Decisão atende pedido da Polícia Federal com aval da PGR e envolve publicação em rede social

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, por suspeita de crime contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada após solicitação da Polícia Federal, com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo reportagem do jornal O Globo, a investigação tem como base uma publicação feita pelo parlamentar na rede social X, em janeiro deste ano, na qual ele associou imagens do presidente venezuelano Nicolás Maduro a Lula e mencionou acusações sem apresentação de provas.

Post em rede social motivou investigação

Na representação encaminhada ao STF, a Polícia Federal destacou o conteúdo divulgado pelo senador. O texto citado na decisão afirma: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”.

De acordo com Moraes, após a afirmação inicial, o parlamentar teria atribuído ao presidente da República a prática de crimes graves, como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e fraudes eleitorais.

“Trata-se, portanto, de publicação realizada em ambiente virtual público, acessível a milhares de pessoas, por meio da qual se imputa fatos criminosos ao Presidente da República”, pontuou Moraes.

A decisão destaca que o conteúdo foi divulgado em meio de ampla circulação, o que amplia o potencial de alcance e impacto das declarações.

Investigação terá prazo inicial de 60 dias

Com a abertura do inquérito, o ministro determinou o envio dos autos à Polícia Federal para a adoção das “providências cabíveis”. O prazo inicial para a apuração foi fixado em 60 dias.

A investigação deverá apurar se houve prática de calúnia, crime previsto no Código Penal quando alguém imputa falsamente a outra pessoa fato definido como crime.

O caso se insere em um contexto mais amplo de disputas políticas intensificadas nas redes sociais, especialmente diante da aproximação do calendário eleitoral. A utilização dessas plataformas por agentes públicos tem sido alvo recorrente de questionamentos judiciais, sobretudo quando envolve acusações sem comprovação.

Decisão ocorre em meio a tensões políticas

A medida do STF ocorre em um cenário de crescente polarização política, com embates frequentes entre representantes do governo e da oposição. A atuação de autoridades em redes sociais tem sido um dos focos dessas disputas, com reflexos no Judiciário.

A abertura do inquérito não implica, neste momento, culpa ou condenação, mas marca o início da fase investigativa, na qual serão reunidos elementos para eventual responsabilização.

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