Morador morto no Morro dos Prazeres foi baleado na cabeça ao ser feito refém dentro de casa

Ele estava com a mulher, que deixou o local em estado de choque

Leandro Silva Souza, o morador morto durante ação do Bope contra o Comando Vermelho (CV) no Morro dos Prazeres, estava em casa e foi feito reféns por seis criminosos que invadiram o local.

As informações foram divulgadas pela Polícia Militar durante coletiva de imprensa. Ao todo, sete suspeitos morreram na ação, entre eles está Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, apontado como líder do tráfico na região.

Leandro estava em casa com a mulher, Roberta. Durante a negociação, ele teria recebido um disparo na cabeça.

“Eles entraram na residência, colocaram o casal como refém, e quando entramos no imóvel começou uma negociação. No momento que buscávamos uma negociação pacífica, vieram disparos de dentro da residência. Leandro recebeu um disparo na cabeça. Nossos policias reagiram. Tiraram a mulher em estado de choque”, explicou o comandante do Batalhão de Operação Especiais (Bope), Marcelo Corbage.

Roberta foi liberada sem ferimentos, mas deixou o local em estado de choque.

“No início, não sabíamos quantas pessoas estavam lá dentro, o que nos leva suspeitar que o Leandro pode ter tentado fugir no momento em que recebeu o disparo. Foi um intenso confronto, um espaço confinado, e após encerrado o confronto tivemos uma real noção da situação”, completou Corbage.

A operação, em conjunto com a Subsecretaria de Inteligência, contou com a participação de mais de 150 agentes no Fallet-Fogueteiro, Morro dos Prazeres, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos. O policiamento segue reforçado na região. Durante a ação, um PM acabou ferido, não há informações sobre o estado de saúde dele.

Após a morte de Jiló, criminosos incendiaram um ônibus na Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, próximo ao Túnel Rebouças. Os bandidos também montaram barricadas e causaram caos no trânsito. Quatro foram presos por obstrução de via.

135 anotações criminais

Ainda em coletiva, o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, deu detalhes da morte do traficante: “Sanguinário, promovia sequestros, roubos, participou da morte de um turista”.

Apontado como um dos criminosos mais procurados do Rio, Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, tinha 135 anotações criminais e cinco mandados de prisão pendentes por crimes como homicídio e tráfico.

A trajetória de Jiló dos Prazeres no crime começou há mais de três décadas. O criminoso, que tinha 55 anos, foi preso pela primeira vez em 1990. Na época, tinha apenas 20 anos.

Beneficiado pelo regime semiaberto, não voltou ao sistema prisional na época e só foi recapturado em 2012. Acabou voltando às ruas no fim de 2016.

E, menos de 30 dias depois, foi acusado de ser um dos envolvidos no assassinato do turista italiano Roberto Barcella, que entrou de moto por engano no Morro dos Prazeres com o primo ao seguir um aplicativo de GPS.

Barcella foi baleado na cabeça e morreu na hora. O corpo dele foi colocado no porta-malas de um carro. O primo dele, Rino Polato, foi rendido e colocado dentro do veículo.

O outro italiano só não foi morto devido a uma ordem da cúpula do CV para liberá-lo. Rino e o corpo do primo foram deixados em uma praça.

Dono de uma empresa de administração condominial, o turista morto era casado e tinha um filho. Ele costumava viajar de moto com o primo pela América do Sul.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading