O líder do Comando Vermelho (CV) morto em confronto com o Bope em uma operação policial nesta quarta-feira (18) na região central do Rio tinha um histórico de prisões devido a uma longa ficha criminal, que envolve o assassinato de um turista italiano. Ao todo, sete suspeitos e um morador morreram na ação.
Apontado como um dos criminosos mais procurados do Rio, Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, tinha 135 anotações criminais e cinco mandados de prisão pendentes por crimes como homicídio e tráfico.
A trajetória de Jiló dos Prazeres no crime começou há mais de três décadas. O criminoso, que tinha 55 anos, foi preso pela primeira vez em 1990. Na época, tinha apenas 20 anos.
Beneficiado pelo regime semiaberto, não voltou ao sistema prisional na época e só foi recapturado em 2012. Acabou voltando às ruas no fim de 2016.
E, menos de 30 dias depois, foi acusado de ser um dos envolvidos no assassinato do turista italiano Roberto Barcella, que entrou de moto por engano no Morro dos Prazeres com o primo ao seguir um aplicativo de GPS.
Barcella foi baleado na cabeça e morreu na hora. O corpo dele foi colocado no porta-malas de um carro. O primo dele, Rino Polato, foi rendido e colocado dentro do veículo.
O outro italiano só não foi morto devido a uma ordem da cúpula do CV para liberá-lo. Rino e o corpo do primo foram deixados em uma praça.
Dono de uma empresa de administração condominial, o turista morto era casado e tinha um filho. Ele costumava viajar de moto com o primo pela América do Sul.
Ofensiva da PM na região central do Rio
É o segundo dia de operação na região central da capital fluminense. Nesta terça-feira (17), agentes da Polícia Civil e PM estiveram na Lapa para cumprir 28 mandados de prisão preventiva. Ao menos 14 suspeitos foram presos.
Segundo as investigações, o grupo controlava a venda de drogas na área e tinha como principais lideranças Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, que está foragido, e Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu ou Português, apontado como responsável pela operação direta do tráfico e que já estava preso.
De acordo com a polícia, a preparação e distribuição das drogas destinadas à venda na Lapa eram feitas na comunidade do Fallet-Fogueteiro, onde parte dos integrantes também se escondiam.
Entre os investigados, estão suspeitos apontados como responsáveis pela logística do tráfico, conhecidos como “gerentes de carga”. Alguns deles não tinham antecedentes criminais.
Imóveis invadidos e ‘feirão’ do crime
O grupo é investigado por controlar pontos de comercialização de drogas. O principal deles funciona a cerca de 200 metros dos Arcos da Lapa, no trecho entre a Travessa Mosqueira e a Rua Joaquim Silva.
Segundo os agentes, imóveis abandonados eram invadidos pelos traficantes e utilizados como locais de venda, onde se formavam filas de usuários. Em algumas situações, os entorpecentes chegavam a ser oferecidos abertamente nas ruas, em uma dinâmica semelhante a um “feirão”.
Ainda segundo as investigações, a entrega até a Lapa seria feita por meio de táxis, mototáxis e também por “mulas do crime”, geralmente mulheres. As drogas eram diversificadas, como maconha, cocaína, haxixe, crack e substâncias sintéticas.






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