O Pentágono colocou cerca de 1,5 mil soldados do Exército dos Estados Unidos em estado de prontidão para um possível envio ao estado de Minnesota, após declarações do presidente Donald Trump sobre a eventual invocação da Lei da Insurreição. A informação foi divulgada neste sábado (17) pelo jornal Washington Post, com base em fontes do Departamento de Defesa.
Os militares pertencem a dois batalhões de infantaria da 11ª Divisão Aerotransportada, sediada no Alasca e especializada em operações em ambientes de clima frio. Segundo autoridades ouvidas pelo jornal, a medida é considerada um “planejamento prudente” diante da escalada de tensões e da possibilidade de aumento da violência durante os protestos no estado.
Até o momento, não há decisão oficial sobre o deslocamento das tropas. As fontes falaram sob condição de anonimato, por se tratar de planejamento militar sensível. Em nota, a Casa Branca afirmou que é rotina o Pentágono se preparar para diferentes cenários, independentemente de uma decisão final do presidente. O Departamento de Defesa não comentou.
Lei da Insurreição
A movimentação ocorre após Trump ameaçar usar a Lei da Insurreição, legislação de 1807 que autoriza o emprego das Forças Armadas em território norte-americano, caso autoridades estaduais não consigam conter manifestações contra operações de imigração. Em publicação na rede Truth Social, o presidente acusou líderes locais de não protegerem agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE).
Os protestos se intensificaram depois que agentes do ICE mataram a tiros Renee Nicole Good, uma cidadã norte-americana de 37 anos, durante uma abordagem em meio a uma manifestação. No dia seguinte à ameaça, Trump moderou o discurso e afirmou que não havia necessidade imediata de invocar a lei, mas manteve a possibilidade em aberto.
Situação escalou
A situação agravou o conflito entre o governo federal e autoridades locais. O governador de Minnesota, Tim Walz, autorizou a mobilização da Guarda Nacional para apoiar forças de segurança estaduais, embora ainda não tenha determinado o envio às ruas. O estado também entrou com ação judicial contra o governo federal, alegando violações constitucionais nas operações de imigração.
O uso da Lei da Insurreição tem precedentes históricos nos Estados Unidos, como no combate à Ku Klux Klan após a Guerra Civil e nos protestos de Los Angeles em 1992. No entanto, iniciativas recentes de Trump envolvendo o emprego de forças militares internas já enfrentaram questionamentos judiciais, com decisões apontando possíveis conflitos com a Lei Posse Comitatus, que limita o uso de militares em funções policiais.






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