Minerais críticos são uma questão de ‘segurança nacional’, diz Lula

Presidente afirma que Brasil quer processar terras raras internamente e ampliar parcerias com transferência de tecnologia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17/4) que o tratamento de minerais críticos e terras raras deve ser tratado como uma prioridade estratégica para o país. Durante entrevista coletiva concedida na Espanha, o chefe do Executivo destacou que o tema envolve diretamente a soberania nacional e a posição do Brasil na cadeia global de produção.

A declaração foi feita no contexto da agenda internacional do presidente, que cumpre compromissos na Europa voltados à ampliação de acordos comerciais e à cooperação em áreas consideradas estratégicas. As informações são do portal Metrópoles.

Processamento dentro do Brasil

Na fala à imprensa, Lula defendeu que o país avance na industrialização dos recursos minerais, evitando repetir o modelo adotado historicamente com outras commodities.

“Nós estamos dispostos a fazer acordo com todos os países que quiserem acordo com o Brasil. E o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Não vamos repetir com os minerais críticos e com as terras raras o que aconteceu com o minério de ferro, com a bauxita. Vamos agora assumir a responsabilidade, temos um conselho nacional de política mineral”, ressaltou o presidente.

A proposta é que o Brasil não apenas exporte matérias-primas, mas também desenvolva etapas mais avançadas da cadeia produtiva, agregando valor aos recursos extraídos em território nacional.

Segurança nacional e soberania

O presidente também enfatizou o caráter estratégico dos minerais críticos, que são fundamentais para setores como tecnologia, energia e indústria de alta complexidade.

“Isso é uma questão de segurança nacional para nós. Construiremos parceria com quem quiser construir, quem quiser nos ajudar, quem quiser levar tecnologia e compartilhar tecnologia conosco. Estaremos de braços abertos para receber. Mas ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral”, frisou.

A declaração reforça a intenção do governo de estabelecer acordos internacionais que envolvam transferência de tecnologia, mas mantendo o controle sobre os recursos naturais.

Acordos internacionais em negociação

Durante o primeiro dia de agenda em Barcelona, o governo brasileiro firmou um memorando de entendimento voltado ao setor de minerais críticos. Os detalhes do acordo ainda não foram divulgados oficialmente.

Nos últimos meses, o Brasil também assinou instrumentos semelhantes com países como Coreia do Sul e Índia, ampliando a rede de cooperação internacional nessa área.

A estratégia busca posicionar o país como um ator relevante no fornecimento e processamento de minerais essenciais para a transição energética e para a indústria tecnológica global.

Agenda europeia e cooperação estratégica

A viagem do presidente à Europa começou pela Espanha e inclui ainda passagens pela Alemanha e por Portugal ao longo de cinco dias. A agenda prevê reuniões voltadas ao fortalecimento de parcerias econômicas, além de debates sobre democracia e governança.

Entre os principais temas tratados estão justamente os minerais críticos e as terras raras, considerados fundamentais para o futuro da economia global, especialmente em áreas como produção de baterias, equipamentos eletrônicos e tecnologias limpas.

O governo brasileiro aposta na combinação entre cooperação internacional e desenvolvimento interno para ampliar sua participação nesse mercado e reduzir a dependência de exportação de produtos primários.

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