TSE rejeita ação de aliados de Lula para barrar exibição de ‘Dark Horse’ nas eleições

Presidente da Corte Eleitoral decide que autores do pedido não têm legitimidade para questionar eventual uso do filme sobre Jair Bolsonaro durante a campanha de 2026

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, rejeitou nesta sexta-feira (12) uma ação apresentada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que buscava impedir a utilização do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, como instrumento de promoção política durante a campanha eleitoral de 2026.

O pedido havia sido protocolado por advogados do Grupo Prerrogativas e pelo deputado federal Rogério Correia, que alegavam risco de desequilíbrio na disputa eleitoral caso a obra fosse utilizada para favorecer a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Segundo a decisão, o mérito da discussão não chegou a ser analisado. O ministro entendeu que os autores da representação não possuem legitimidade para questionar uma eventual propaganda relacionada a candidatos que disputarão a Presidência da República, informa o g1.

Ao justificar o entendimento, Nunes Marques destacou que Rogério Correia concorre a cargo de deputado federal em Minas Gerais e que o advogado Marco Aurélio de Carvalho sequer manifestou intenção de disputar as eleições deste ano. Dessa forma, de acordo com a jurisprudência consolidada da Corte Eleitoral, eles não podem apresentar representação contra propaganda ligada a candidatos que participam de uma eleição de abrangência nacional.

“Os representantes não disputam eleição na circunscrição nacional”, registrou o ministro na decisão. Em outro trecho, afirmou que há “ausente legitimidade ativa” para a apresentação da ação contra candidatos que concorrerão ao cargo de presidente da República.

Filme entrou no debate eleitoral

A produção Dark Horse ganhou relevância no cenário político após o vazamento de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro. Na gravação, o senador conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro e solicita apoio financeiro para o projeto cinematográfico. Segundo o parlamentar, os recursos seriam destinados à conclusão do filme.

O episódio ampliou o debate sobre o possível impacto eleitoral da obra, especialmente diante da proximidade do período de campanha. Embora ainda não exista uma data oficial de lançamento, informações divulgadas anteriormente pela imprensa indicavam a possibilidade de estreia em setembro, poucos meses antes da votação.

Argumentos da ação

Na representação apresentada ao TSE, os aliados de Lula sustentaram que a exibição do filme poderia configurar abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e até mesmo formas indiretas de financiamento político irregular.

Os autores argumentaram que uma produção cinematográfica de grande alcance, lançada às vésperas da eleição, teria potencial para influenciar a opinião pública e beneficiar politicamente candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Por esse motivo, solicitaram que a Justiça Eleitoral adotasse medidas preventivas para impedir a utilização da obra com finalidade eleitoral.

Com a decisão desta sexta-feira, o processo foi encerrado por questões processuais, sem que o TSE analisasse o conteúdo das alegações ou o eventual impacto político do filme durante a disputa presidencial de 2026.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading