O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início a uma viagem de cinco dias pela Europa com uma agenda que combina articulação política internacional e fortalecimento de relações comerciais. A primeira parada foi em Barcelona, onde Lula foi recebido nesta sexta-feira pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, acompanhado de uma comitiva composta por ao menos 11 ministros.
A programação prevê uma reunião reservada entre os dois líderes, seguida de um encontro ampliado com ministros dos dois países. Ao fim das conversas, está prevista a assinatura de acordos em áreas como igualdade de gênero, tecnologia e empreendedorismo.
Reaproximação entre Brasil e Espanha
A visita marca mais um passo na retomada das relações entre Brasil e Espanha, que ganharam novo impulso durante o atual mandato de Lula. Segundo o governo brasileiro, a agenda busca reforçar convergências diplomáticas, especialmente na defesa de soluções pacíficas para conflitos internacionais.
Lula e Sánchez já haviam se encontrado em ocasiões recentes, tanto em Madri quanto em Brasília, e estabeleceram o compromisso de reuniões periódicas. O encontro atual dá continuidade a esse entendimento bilateral.
Durante a viagem, Lula também comentou o cenário internacional em entrevista à imprensa espanhola.
“Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”.
A declaração ocorre em meio a tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o Irã, tema que tem mobilizado lideranças internacionais.
Fórum reúne líderes progressistas
No sábado, o presidente brasileiro participa de mais uma edição do Fórum Democracia para Sempre, iniciativa criada em 2024 em parceria com o governo espanhol. O encontro reúne chefes de Estado e representantes alinhados a pautas progressistas, com o objetivo de discutir desafios globais.
Entre os participantes confirmados estão os presidentes Claudia Sheinbaum, do México, Gustavo Petro, da Colômbia, Yamandú Orsi, do Uruguai, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul. Também participam representantes europeus, como integrantes dos governos da Alemanha e do Reino Unido.
Os debates estão organizados em três eixos principais: multilateralismo, combate às desigualdades e enfrentamento à desinformação. A programação não detalha, até o momento, a realização de reuniões bilaterais paralelas.
Articulação internacional e pauta da ONU
A diplomacia brasileira também pretende aproveitar a viagem para buscar apoio internacional a uma candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU em 2027. Nos bastidores, no entanto, já há avaliação de que o tema enfrenta dificuldades para alcançar consenso entre os países.
Outro ponto da agenda é a construção de uma declaração conjunta voltada ao combate à violência política e digital de gênero, tema que tem ganhado espaço em fóruns internacionais.
Agenda econômica e encontros empresariais
Além dos compromissos políticos, Lula deve participar de encontros com empresários brasileiros e espanhóis, envolvendo setores como agronegócio, energia e infraestrutura. Também está previsto um discurso no evento Mobilização Progressista Global, promovido por entidades da sociedade civil e sindicatos.
A Espanha ocupa posição relevante nas relações comerciais com o Brasil, sendo a oitava maior parceira comercial e destino importante das exportações brasileiras. Em 2025, o intercâmbio entre os dois países somou US$ 12,6 bilhões, com destaque para produtos como petróleo, soja e minerais.
Empresas espanholas também mantêm presença significativa no Brasil, especialmente nos setores financeiro, energético e de telecomunicações.
Próximos destinos na Europa
Após a passagem pela Espanha, Lula seguirá para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover, e depois para Portugal. Em Lisboa, estão previstos encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro.
Os três países integram o grupo que impulsionou o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que deve entrar em vigor provisoriamente em 1º de maio, após décadas de negociação.
A comitiva presidencial inclui ministros de áreas estratégicas, além de dirigentes de instituições como o BNDES, a Polícia Federal e a Fiocruz. O retorno ao Brasil está previsto para a próxima terça-feira.






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