MEC autoriza Rede D’Or a abrir faculdade de Medicina no Rio com mensalidade a partir de R$ 13 mil

Graduação terá primeira turma em janeiro de 2027 e prevê formação em hospitais privados e unidades do SUS

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A Rede D’Or e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) vão inaugurar uma graduação em Medicina no Centro do Rio, com início das aulas previsto para 25 de janeiro de 2027, informa o jornal O Globo. A autorização do Ministério da Educação (MEC) foi publicada nesta sexta-feira (6) no Diário Oficial da União. Segundo o instituto, a mensalidade ficará entre R$ 13 mil e R$ 14 mil.

O projeto prevê duas turmas de 50 estudantes por ano e recebeu conceito máximo na avaliação presencial do ministério. A abertura ocorre em meio ao debate sobre a qualidade da formação médica e à expansão das faculdades privadas no país na última década.

A iniciativa foi habilitada pelo Chamamento Público nº 5 do MEC, publicado em abril de 2024. Baseado na Lei dos Mais Médicos, de 2013, o edital criou uma modalidade específica para instituições mantenedoras de hospitais ou redes hospitalares interessadas em oferecer a graduação.

Formação terá hospitais da rede e atendimento no SUS

A sede ocupará o prédio onde funcionava o Ibmec, no Centro, reunindo laboratórios e atividades das áreas básicas. A formação prática será distribuída por unidades como o Hospital Quinta D’Or e a Maternidade Perinatal Barra.

Também estão previstas atividades no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de convênios com a prefeitura do Rio, incluindo os hospitais do Andaraí e Souza Aguiar, além de unidades de atenção primária.

“Os hospitais da rede estão preparados e têm vocação não só pra pesquisa, mas também pra ensino. Mas é muito importante também a inserção na saúde da família, nas estruturas básicas da saúde e também nos hospitais do SUS”, explicou Fernanda Moll, presidente do Idor. “A gente precisa formar o profissional de saúde que esteja inserido nessa multiplicidade que é a nossa saúde brasileira. É necessário que o aluno seja treinado em alta complexidade, mas também na atenção primária, na saúde privada, na saúde complementar, suplementar, e principalmente no SUS.”

Além das unidades fluminenses, a instituição pretende aproveitar a presença da Rede D’Or em dez estados para ampliar as experiências dos estudantes.

“Queremos expor esse aluno, instalado no Rio de Janeiro, a várias realidades do Brasil. A gente pode fazer um projeto no nosso hospital em Carajás (PA), ou no Maranhão. O Brasil são vários Brasis”, disse a presidente. “Todo mundo vai ser exposto à pesquisa.”

Pesquisa será parte da trajetória de todos os estudantes

A proposta inclui iniciação científica para todos os estudantes e trilhas de aprofundamento em pesquisa, gestão e medicina de fronteira. O Idor reúne mais de 150 pesquisadores com doutorado e produção superior a 2,5 mil artigos científicos.

Fernanda citou MIT e Caltech como referências internacionais e destacou a parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), que deverá participar de disciplinas conjuntas. O instituto também mantém colaborações científicas com mais de 80 países e parcerias acadêmicas internacionais.

O corpo docente deverá reunir médicos da Rede D’Or, pesquisadores do Idor e professores dos programas de pós-graduação. Parte desses profissionais já combina atendimento hospitalar com atividades acadêmicas.

Segundo Fernanda, a graduação resulta de um planejamento de longo prazo. Fundado há 16 anos com foco em pesquisa, o Idor passou a coordenar residências médicas em 2012 e criou a Faculdade D’Or de Ciências Médicas em 2017. Atualmente, mais de 30 programas de residência coordenados pelo instituto ficam no Rio.

O desenvolvimento do curso de Medicina começou em 2018, com estudos sobre modelos brasileiros e estrangeiros de formação. Há quatro anos, um Núcleo Docente Estruturante trabalha no currículo.

Expansão de vagas traz desafio para a especialização

Ao comentar o crescimento das graduações no Brasil, Fernanda reconheceu o descompasso entre a abertura de vagas e a oferta de formação especializada.

“A gente sabe que teve um crescimento muito grande realmente do número de vagas para a graduação sem o crescimento proporcional, por exemplo, dos programas de pós-graduação e, no caso, especificamente da residência médica”, afirmou a presidente do Idor, que, por outro lado, destacou o avanço com o novo Enamed. “É um desafio. E isso também é uma mensagem da nossa instituição. Fizemos o contrário. A gente tem a residência médica e depois chega na graduação.”

O debate envolve o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e propostas para avaliar a preparação dos profissionais antes do exercício da Medicina.

Outras instituições hospitalares, como as Santas Casas de Belo Horizonte e de Campo Grande, também têm propostas em andamento. A habilitação no edital, contudo, não autoriza automaticamente o funcionamento: é preciso cumprir outras etapas de avaliação.

A Santa Casa de Campo Grande informou que, embora habilitada, ainda não possui um projeto consolidado. Segundo a entidade, existe uma “intenção institucional” em estágio inicial, dependente de estudos e avaliações.

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