Marinho aposta em metrô pela Ponte Rio-Niterói como alternativa mais barata a túnel sob a Baía

Principal proposta de mobilidade do candidato do Novo, Linha Azul aproveitaria estrutura existente, chegaria ao Estácio e teria ramais para Niterói, e São Gonçalo

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Em vez de atravessar a Baía de Guanabara por um túnel, o metrô passaria por cima dela, aproveitando a estrutura da Ponte Rio-Niterói. Essa é a ideia central da Linha Azul, principal proposta de mobilidade apresentada pelo candidato do Novo ao Governo do Rio, André Marinho, para ligar a capital ao Leste Metropolitano.

Marinho apresenta o projeto como uma alternativa de menor custo à histórica Linha 3, cuja concepção prevê uma travessia subterrânea entre Rio e Niterói. O argumento é que o aproveitamento de uma infraestrutura existente permitiria reduzir a complexidade e os gastos de engenharia associados à construção de túneis sob a Baía. A campanha, porém, ainda não divulgou uma estimativa fechada de investimento para a Linha Azul.

Da Ponte ao Estácio

Pela proposta, a estrutura ferroviária seria acoplada à Ponte Rio-Niterói. No lado carioca, o metrô avançaria por um sistema de elevados até chegar ao Estácio, permitindo conexão com a rede metroviária existente.

A integração é um dos pilares do projeto. Marinho também defende a conexão com ônibus, trens e barcas, criando alternativas para que passageiros do Leste Metropolitano possam acessar diferentes regiões da capital sem depender exclusivamente de ônibus ou automóveis.

“A ponte já está ali. Por que não aproveitar uma estrutura que já existe para levar o metrô até onde as pessoas moram? A Linha Azul é uma solução para conectar Rio e Niterói de forma mais inteligente, mais direta e com melhor aproveitamento da infraestrutura existente”, afirma Marinho.

Em Niterói, a linha teria uma bifurcação em “Y”. Um dos ramais seguiria pelo Barreto e avançaria em direção a São Gonçalo, acompanhando parte do eixo historicamente discutido para a Linha 3. O outro passaria pela Marquês de Paraná e pela Avenida Roberto Silveira até a região do Campo de São Bento, aproximando o metrô de Icaraí e Santa Rosa e facilitando o acesso de moradores da Região Oceânica.

Ponte contra túnel

A comparação com o projeto subterrâneo está no centro da proposta. O Plano Diretor Metroviário apresentado pelo Estado prevê para a Linha 3 uma ligação entre Praça XV e Arariboia por túnel sob a Baía. A linha completa projetada pelo governo teria cerca de 28 quilômetros e 15 estações entre Rio, Niterói e São Gonçalo, com possibilidade de extensão até Itaboraí. A estimativa oficial é de atendimento a aproximadamente 650 mil passageiros por dia.

Os estudos atualmente conduzidos pela Coppe/UFRJ ainda analisam alternativas de traçado, viabilidade econômica e impactos da Linha 3. O trabalho recebeu investimento de R$ 26 milhões para a elaboração dos estudos, valor que não corresponde ao custo da futura obra.

A travessia subterrânea exige estudos geológicos e geotécnicos específicos por causa das condições do fundo da Baía de Guanabara. Projetos conceituais anteriores já apontaram a complexidade dessa etapa da ligação entre as duas margens.

É justamente nesse ponto que Marinho sustenta a vantagem econômica da Linha Azul. Ao aproveitar a Ponte, a proposta evitaria a construção da travessia metroviária subterrânea. Sem um orçamento detalhado apresentado até agora, porém, ainda não é possível estabelecer em valores quanto a alternativa sobre a ponte custaria nem qual seria a economia efetiva em relação ao túnel.

“O Rio precisa voltar a pensar grande, mas pensar grande não significa escolher a obra mais cara. Significa encontrar a solução que resolve o problema de mais gente e faz melhor uso do dinheiro público”, afirma o candidato.

Principal aposta para a mobilidade

A proposta também se diferencia da Linha 3 ao buscar levar um dos ramais para áreas densamente ocupadas de Niterói, como Icaraí e Santa Rosa, enquanto o outro atenderia o eixo de Barreto, Neves e São Gonçalo.

“Não adianta construir uma grande infraestrutura se o passageiro continuar longe dela. O transporte público precisa chegar onde as pessoas estão e para onde elas precisam ir todos os dias”, finaliza Marinho.

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