O complexo turístico e residencial Maraey, apontado como um dos maiores empreendimentos privados em desenvolvimento no estado do Rio de Janeiro, inicia nesta semana sua fase de obras de infraestrutura em Maricá, ao mesmo tempo em que intensifica uma ofensiva internacional para atrair novos investidores. Avaliado em cerca de R$ 11 bilhões, o projeto promete transformar a cidade em um dos principais destinos de turismo de alto padrão da América Latina.
Localizado em uma área de 844 hectares entre a Lagoa de Maricá e o Oceano Atlântico, o empreendimento começa a sair do papel após quase duas décadas de debates ambientais, disputas judiciais e processos de licenciamento.
Além do início das obras, os responsáveis pelo projeto buscam captar aproximadamente R$ 800 milhões até o fim deste ano por meio de operações de dívida e participação acionária.
Captação mira fundos de pensão e investidores
À frente do empreendimento, o empresário espanhol Emilio Izquierdo, CEO do Maraey, vem liderando uma série de apresentações para potenciais investidores no Brasil e no exterior.
A estratégia inclui reuniões com representantes de fundos de investimento em cidades como Nova York, Miami e Madri. Novas rodadas de negociações também estão previstas para Londres e países do Oriente Médio.
No Brasil, Izquierdo pretende apresentar o projeto à Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), entidade que reúne fundos de pensão com patrimônio próximo de R$ 1,4 trilhão.
Os recursos buscados pelo empreendimento deverão complementar um acordo de intenções de aproximadamente R$ 3,5 bilhões firmado com três instituições financeiras internacionais, entre elas a International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial.
“Mais do que iniciar uma obra, estamos avançando em um projeto pensado para crescer junto com Maricá, gerar oportunidades, fortalecer a comunidade local e produzir impactos duradouros para a qualidade de vida da população e para o desenvolvimento sustentável da região”, afirmou Emilio Izquierdo.
Primeira fase prevê hotéis inéditos no Brasil
A primeira etapa do empreendimento está orçada em R$ 4,5 bilhões e contempla a construção de três hotéis, cerca de 1,1 mil quartos, 244 branded residences e uma escola de hotelaria certificada pela École Hôtelière de Lausanne, considerada uma das mais prestigiadas instituições do setor no mundo.
Entre os destaques estão o primeiro hotel da bandeira Ritz-Carlton Reserve da América do Sul, o primeiro resort all-inclusive da marca JW Marriott no Brasil e o Rock in Rio Autograph Collection, anunciado como o primeiro hotel temático inspirado no festival de música.
O braço imobiliário do empreendimento também prevê residências de alto padrão voltadas ao mercado nacional e internacional.
Infraestrutura nos próximos dois anos
As obras que começam nesta semana envolvem a implantação de toda a infraestrutura básica necessária para o funcionamento do complexo.
Estão previstas redes de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, sistemas de energia, drenagem e cerca de 23 quilômetros de pavimentação interna.
Essa fase deverá durar aproximadamente dois anos. A expectativa dos empreendedores é iniciar a construção dos hotéis no começo de 2027 e receber os primeiros hóspedes até o final de 2029.
Preservação ambiental foi decisiva para liberação
A implantação do Maraey passou por um longo histórico de questionamentos judiciais em razão de sua localização dentro da Área de Proteção Ambiental da Restinga de Maricá.
Em 2023, uma decisão judicial suspendeu as licenças ambientais do empreendimento após questionamentos apresentados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro sobre possíveis impactos ambientais.
No entanto, em agosto de 2025, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça autorizou a retomada do projeto ao entender que as discussões sobre as licenças poderiam prosseguir sem impedir a execução das obras.
Segundo os responsáveis pelo empreendimento, apenas 6,6% da área total será ocupada por construções. O planejamento prevê a preservação de aproximadamente 81% do território, formado por vegetação nativa de restinga e Mata Atlântica.
Também está prevista a recuperação de cerca de 270 hectares de áreas degradadas, além da implantação de um Centro de Referência Ambiental.
Aposta para impulsionar a economia de Maricá
O Maraey é tratado pela Prefeitura de Maricá como um dos principais motores de desenvolvimento econômico do município para as próximas décadas.
Durante a Feira Internacional de Turismo (Fitur), realizada em Madri no início deste ano, o prefeito Washington Quaquá assinou uma carta de intenção voltada à atração de investimentos para o empreendimento.
“O início das obras marca um novo capítulo da história de Maricá. Estamos falando de um empreendimento de padrão mundial, que coloca a nossa cidade na rota dos grandes investimentos internacionais. É um projeto que atravessou mais de uma década de disputas judiciais. Foi preciso persistência e capacidade de seguir acreditando no futuro de Maricá mesmo diante dos obstáculos”, afirmou o prefeito.
Segundo estimativas divulgadas pelos responsáveis pelo projeto, o empreendimento deverá gerar cerca de 18 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de implantação e aproximadamente 9 mil postos permanentes após sua conclusão.
A arrecadação anual de tributos poderá alcançar R$ 485 milhões, enquanto o fluxo de visitantes é estimado em cerca de 500 mil pessoas por ano
*Com informações do jornal O Globo.






Deixe um comentário