Mansão no Lago Sul teria sido usada por Lulinha e lobista para reuniões em Brasília

Ex-funcionária de Roberta Luchsinger afirma que filho de Lula frequentava imóvel alugado pela empresária durante estadias na capital federal

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

Uma mansão localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília, teria sido utilizada pela empresária e lobista Roberta Luchsinger e por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para encontros durante períodos em que ambos estavam na capital federal. O imóvel era alugado por Luchsinger e, segundo relatos de pessoas que trabalharam no local, recebia reuniões discretas.

A informação foi relatada ao jornal O Globo por três pessoas que atuaram na residência. Entre elas está a ex-funcionária doméstica Zildeni Souza, que trabalhou no imóvel durante sete meses, entre 2024 e 2025. Segundo ela, a casa não funcionava como moradia permanente, mas como espaço para reuniões e hospedagens.

Zildeni afirmou que Lulinha e Luchsinger frequentavam o endereço e que, em determinadas ocasiões, o filho do presidente aparecia sozinho. Um áudio apresentado em um processo trabalhista movido pela ex-funcionária registra uma orientação de Luchsinger para preparar quartos para a chegada de Fábio e de outras pessoas.

Defesa de Lulinha contesta irregularidades

De acordo com a ex-funcionária, Lulinha permanecia por alguns dias na residência durante suas passagens por Brasília. Ela também afirmou que recebia orientações para organizar a casa antes da chegada do filho do presidente e de possíveis visitantes.

A defesa de Lulinha declarou que ele nunca morou no imóvel e que sua presença na residência não representava qualquer irregularidade. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a relação entre Lulinha e Luchsinger é de amizade e que ele frequentava a casa como faria com outros amigos.

O defensor também negou que Lulinha tenha participado de reuniões com empresários ou clientes da lobista. Segundo ele, o filho do presidente estaria sendo alvo de uma perseguição considerada injustificada e permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A defesa de Luchsinger informou que não comentaria as informações. A empresária, porém, já se manifestou nas redes sociais contra as investigações e afirmou ser alvo de ataques relacionados ao seu nome e a pessoas próximas.

Imóvel de alto padrão no Lago Sul

A residência fica em um condomínio fechado e possui aproximadamente 2.110 metros quadrados. O imóvel conta com três quartos, piscina, jardim, churrasqueira e um espaço destinado a escritório, apontado como local onde ocorreriam encontros.

Segundo informações de imobiliárias da região, imóveis desse padrão no Lago Sul podem ter aluguel anual em torno de R$ 240 mil. Registros de cartório indicam que a propriedade pertence a um empresário do setor de mineração de calcário que vive fora do Brasil.

Luchsinger alugou a residência em 2024. Funcionários ouvidos na apuração afirmaram que ela e Lulinha não frequentam o imóvel há cerca de sete meses. A mudança teria ocorrido após o avanço das investigações envolvendo a empresária e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Agendas em órgãos públicos

Além dos encontros no imóvel, Luchsinger manteve compromissos em ministérios e órgãos públicos enquanto atuava em Brasília em representação de empresas interessadas em contratos públicos. Segundo registros citados na reportagem, foram identificadas oito agendas no Palácio do Planalto e pelo menos 32 visitas a gabinetes de ministérios e ao BNDES entre 2023 e 2025.

No mesmo período, Lulinha teve cinco registros de acesso ao Palácio do Planalto. Os registros, por si só, não indicam irregularidade, mas passaram a integrar o contexto das apurações sobre as relações entre os envolvidos.

Lulinha deixou o Brasil e passou a viver em Madri, na Espanha, no ano passado. Ele possui empresas no setor de tecnologia e, segundo pessoas próximas ao presidente, preferia se hospedar na residência de Luchsinger quando estava em Brasília, em vez de permanecer no Palácio da Alvorada.

Ex-chefe de gabinete também teria visitado a casa

Segundo Zildeni, outro visitante do imóvel teria sido Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. A ex-funcionária afirmou lembrar da presença dele em uma reunião realizada na residência. Procurado pela reportagem diretamente e por meio da defesa, Marcola não se manifestou.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, também confirmou ter estado com Lulinha e Luchsinger em uma festa realizada em Brasília para o filho do presidente. Ele afirmou, entretanto, não se lembrar do endereço da comemoração.

As informações sobre a residência e os encontros ocorrem em meio às investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Luchsinger e outras pessoas. As acusações ainda são objeto de apuração, e os envolvidos citados na investigação têm direito à defesa e à apresentação de esclarecimentos às autoridades.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo