MPE considera que Deltan Dallagnol pode disputar eleição de 2026

O Ministério Público Eleitoral do Paraná entende que a saída de Dallagnol do Ministério Público Federal, em 2021, não impede uma nova candidatura, mas ressalva que outras hipóteses de inelegibilidade não foram analisadas.

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou favoravelmente à possibilidade de Deltan Dallagnol disputar as eleições de 2026. Em parecer assinado pelo procurador regional eleitoral do Paraná, Marcelo Godoy, a Procuradoria recomenda ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que reconheça que a exoneração do ex-procurador do Ministério Público Federal (MPF), em 2021, não o impede de concorrer neste ano.

A análise considera que o cenário existente quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o registro de candidatura de Dallagnol, em 2022, sofreu alterações. Na ocasião, a Corte entendeu que ele havia deixado o MPF enquanto respondia a procedimentos disciplinares, o que poderia ter evitado uma eventual demissão.

Segundo o novo parecer, dos 16 procedimentos que estavam em andamento quando Dallagnol deixou o MPF, 13 foram arquivados por razões que não tiveram relação com sua exoneração. Entre os casos estavam processos considerados prescritos, acusações apontadas como improcedentes e situações nas quais não foi constatada infração disciplinar.

Procuradoria reavalia motivo da saída

Os outros três procedimentos foram encerrados justamente em razão da saída de Dallagnol do cargo. Para a Procuradoria, porém, nenhum deles poderia levar à sua demissão. Esse entendimento enfraqueceria, na avaliação do MPE, a conclusão adotada pelo TSE em 2022 sobre uma possível tentativa de evitar punição disciplinar.

O parecer também considera informações relacionadas à decisão de Dallagnol de deixar o Ministério Público. De acordo com a Procuradoria, ele recebeu convites de lideranças políticas em 2021 para participar de atividades partidárias e disputar uma eleição.

Registros da Justiça Eleitoral indicam que, em 19 de novembro daquele ano, Dallagnol assumiu a função de segundo vice-presidente da comissão estadual provisória do Podemos. Para o MPE, o fato reforça a versão de que a saída do MPF teve como objetivo sua entrada na política, já que integrantes do Ministério Público não podem exercer atividade político-partidária.

Decisão de 2022 continua válida

A manifestação do MPE faz uma ressalva importante: a decisão do TSE que cassou a candidatura de Dallagnol em 2022 continua válida e não está sendo questionada neste processo. A discussão atual é se aquele julgamento impede automaticamente uma nova candidatura em 2026.

Na avaliação da Procuradoria, as condições de elegibilidade e eventuais impedimentos devem ser examinados novamente a cada eleição. Por isso, o MPE recomenda que o TRE do Paraná aceite o pedido apresentado por Dallagnol e reconheça que sua exoneração de 2021, isoladamente, não impede sua candidatura.

O parecer, no entanto, não analisa outras possíveis causas de inelegibilidade que eventualmente possam atingir o ex-procurador. Essas questões, caso sejam apresentadas no processo eleitoral, deverão ser examinadas separadamente pela Justiça Eleitoral.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo