A segurança pública, tema historicamente associado ao discurso da direita, ganhou um novo protagonista nas redes sociais na reta final da eleição presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superou Flávio Bolsonaro (PL) em número de interações sobre o assunto e passou a liderar o debate digital entre os dois candidatos. Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque, Lula acumulou 5,99 milhões de interações, contra 3,61 milhões do senador.
Os dados foram coletados pelo Data Lake DX, ferramenta de monitoramento do instituto, entre os dias 12 e 18 de outubro. A pesquisa analisou publicações de políticos, candidatos e influenciadores sobre segurança pública, um dos assuntos que ganharam destaque na disputa pelo Palácio do Planalto.
O desempenho do presidente chama atenção porque ocorre em um momento decisivo da campanha, às vésperas do segundo turno, marcado para domingo (25). O levantamento também captou parte da repercussão do debate presidencial realizado no último domingo (18), uma vez que a coleta de dados foi encerrada à meia-noite.
Lula amplia protagonismo em pauta tradicionalmente associada à direita
Além de superar Flávio Bolsonaro na comparação direta, Lula também liderou o ranking de perfis de influenciadores monitorados pelo instituto. Apenas sete publicações do presidente sobre segurança pública concentraram aproximadamente 5,9 milhões de interações.
Para Ana Julia Bernardi, professora de gestão pública da FipeEES e diretora de projetos do Instituto Democracia em Xeque, o resultado representa uma mudança relevante na disputa pela atenção dos eleitores nas plataformas digitais.
“Historicamente, a extrema direita tem conseguido pautar o debate sobre segurança pública nas redes sociais, uma agenda em que costuma ter maior protagonismo”, afirmou.
A pesquisadora destacou que o desempenho de Lula nesta semana se diferencia pela intensidade da mobilização digital, especialmente diante da proximidade da votação.
Segundo ela, o presidente voltou a disputar espaço em uma pauta tradicionalmente associada à direita, o que sugere que sua comunicação pode estar alcançando públicos além daqueles que habitualmente interagem com suas publicações.
Engajamento cresce 40% mesmo com menos publicações
O levantamento identificou um aumento expressivo na repercussão sobre segurança pública, apesar da redução na quantidade de conteúdos publicados.
Entre as duas semanas analisadas, o número de postagens caiu 3,8%, passando de 20,9 mil para 20,1 mil. Entretanto, no recorte específico dos partidos políticos, as interações cresceram aproximadamente 40%, saltando de 30,19 milhões para 42,26 milhões.
Na comparação com a última semana anterior ao primeiro turno, o crescimento chegou a 205,3%, indicando uma intensificação das discussões sobre segurança pública durante a etapa decisiva da eleição.
Apesar da liderança individual de Lula, o PL permaneceu à frente do PT no engajamento partidário. A legenda de Flávio Bolsonaro registrou 13,53 milhões de interações, crescimento de 54,8% em relação aos 8,74 milhões da semana anterior.
Com esse desempenho, o PL respondeu por 32% das interações partidárias sobre segurança pública. O PT apareceu na segunda posição, com 12,03 milhões, equivalentes a 28,5% do total.
Juntas, as duas siglas concentraram 60,5% da repercussão partidária sobre o assunto, demonstrando o peso da polarização eleitoral nas discussões digitais.
Debate sobre facções criminosas ganha força
Entre os diferentes assuntos relacionados à segurança pública, o combate às facções criminosas apresentou o maior crescimento de repercussão na semana.
Segundo o Termômetro, indicador do Instituto Democracia em Xeque que acompanha o debate mais amplo nas redes sociais, as interações sobre facções e crime organizado aumentaram 44,3%, passando de 7,9 milhões para 11,4 milhões.
No Data Lake DX, que monitora especificamente as contas de lideranças políticas, o crescimento foi de 19,8%, com as interações avançando de 10,11 milhões para 12,11 milhões. O número de publicações sobre o assunto também aumentou aproximadamente 32%.
As discussões envolveram propostas para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, além de medidas para rastrear munições, investigar movimentações financeiras e apurar possíveis ligações entre agentes políticos e o crime organizado.
O levantamento mostra que a segurança pública se consolidou como um dos principais campos de disputa pela atenção dos eleitores na reta final do segundo turno. Embora Lula tenha alcançado maior repercussão individual, o PL manteve a liderança entre os partidos, evidenciando a mobilização dos dois campos políticos em torno do tema.
A segurança pública já havia ganhado espaço na estratégia eleitoral do presidente. Conforme mostrou o Agenda do Poder, Lula adotou um novo lema no segundo turno, colocando a proteção aos trabalhadores e o combate ao crime no centro da campanha







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