O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na noite desta quarta-feira (19), no Palácio da Alvorada, com Marco Aurélio de Carvalho, advogado responsável pela defesa de seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O encontro ocorre em meio às investigações da Polícia Federal que envolvem o filho do presidente.
Marco Aurélio chegou à residência oficial da Presidência por volta das 19h15. Segundo interlocutores de Lula, a reunião havia sido agendada para tratar de assuntos pessoais e relacionados à campanha eleitoral. A possibilidade de as investigações sobre Lulinha entrarem na conversa dependeria de o presidente abordar o assunto.
Além de atuar na defesa do empresário, Marco Aurélio é um dos fundadores do grupo Prerrogativas e foi escolhido para coordenar, em São Paulo, a campanha de Lula, que disputará a reeleição em outubro.
PF mantém três inquéritos
A reunião acontece em um momento de maior exposição das investigações envolvendo Lulinha. A Polícia Federal apura em três inquéritos diferentes se o empresário cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção.
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se o filho do presidente atuou para favorecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações envolvendo o Ministério da Saúde.
Antunes é apontado como um dos principais envolvidos no esquema de desvios de recursos de aposentadorias e pensões investigado pelas autoridades.
A existência dos inquéritos, por si só, não significa que Lulinha tenha cometido os crimes investigados. As apurações buscam justamente esclarecer sua eventual participação nos fatos.
Negócio com canabidiol entrou na mira
Outra frente das apurações envolve uma tentativa de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
A Polícia Federal identificou que Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula, recebeu uma minuta de contrato relacionada à negociação. O documento havia sido encaminhado pela empresária Roberta Luchsinger, que tentava fechar o negócio com a pasta. O contrato, porém, não foi concretizado.
Também veio a público neste mês que Roberta transferiu dinheiro a Marcola. Em nota, o ex-chefe de gabinete afirmou que recebeu R$ 249 mil e sustentou que o valor estava relacionado a um empréstimo pessoal já quitado.
As revelações sobre as relações entre Lulinha, Marcola e Roberta ampliaram a repercussão política das investigações justamente no início da campanha eleitoral.
Caso provoca desgaste na campanha
Segundo relatos atribuídos a assessores do presidente, a divulgação das conversas envolvendo pessoas próximas a Lulinha provocou incômodo no entorno de Lula.
Integrantes da equipe presidencial afirmam que, até o momento, não há indicação de um “ato de ofício” que demonstre que Lulinha tenha conseguido a aprovação de algum contrato do governo em benefício da empresária.
Ao mesmo tempo, esses interlocutores reconhecem que as conversas reveladas são consideradas inoportunas e inadequadas.







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