Lula reage à tentativa de missão dos EUA e diz que quem ‘se meter’ nas eleições brasileiras ‘vai apanhar muito’

Presidente reforça defesa da soberania brasileira após Itamaraty negar vistos a representantes dos EUA que pretendiam questionar as urnas eletrônicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25) que o Brasil não aceitará qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante a convenção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), em Campinas (SP), que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

O pronunciamento ocorre um dia após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negar os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que, segundo reportagem do jornal The Washington Post, participariam de uma missão voltada a questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Ao discursar para militantes e lideranças do partido, Lula afirmou que apenas os brasileiros têm legitimidade para decidir os rumos políticos do país e fez um alerta contra qualquer tentativa de influência externa.

“E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. […] quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse pais são 157 milhões de eleitores”.

A declaração foi recebida com aplausos pelos participantes da convenção e reforçou o discurso do governo em defesa da soberania nacional.

Presidente destaca soberania nas relações internacionais

Durante sua fala, Lula afirmou que o Brasil pretende manter boas relações diplomáticas com todos os países, mas ressaltou que assuntos internos devem ser tratados exclusivamente pelas instituições brasileiras.

“O aviso está dado, o brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. o brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar”.

O presidente tem adotado esse discurso em diferentes eventos públicos, especialmente diante de episódios considerados pelo governo como tentativas de ingerência internacional em temas internos.

Itamaraty barra entrada de diplomatas dos EUA

Na sexta-feira (24), o governo brasileiro negou os pedidos de visto apresentados por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Os dois foram citados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia destinada a questionar a segurança e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Segundo informações divulgadas pelo blog do jornalista Valdo Cruz, o governo brasileiro foi informado previamente sobre o caráter considerado “inusitado” da missão e decidiu negar a autorização de entrada antes mesmo da publicação da reportagem.

A viagem estava prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições gerais, marcadas para 4 de outubro.

Declarações sobre urnas eletrônicas ampliam debate

O episódio acontece em meio à retomada das discussões sobre o sistema eletrônico de votação.

Na última semana, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reuniu-se com representantes de cerca de 40 países em um evento privado. Durante o encontro, afirmou que o Brasil utiliza urnas produzidas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O parlamentar afirma que não questiona o sistema eleitoral brasileiro, mas defende a presença de observadores internacionais para acompanhar o processo de votação no país.

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a possível missão dos representantes estadunidenses como “escandalosa” e “inusitada”. Segundo integrantes da Corte, uma iniciativa dessa natureza representaria uma tentativa de interferência externa em um tema que é de competência exclusiva das instituições brasileiras responsáveis pela condução das eleições.

Convenção marcou início oficial da campanha petista em São Paulo

As declarações de Lula ocorreram durante a convenção estadual do PT, que confirmou Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo.

O evento reuniu lideranças da base aliada, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além das pré-candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), marcando o início da campanha petista no maior colégio eleitoral do país.

Com as convenções partidárias em andamento, os partidos têm até 5 de agosto para oficializar seus candidatos. O registro das candidaturas deverá ser feito junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto, e a campanha eleitoral começará oficialmente no dia 16.

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