Mauro Vieira conversa com Rubio para tentar conter possível interferência dos EUA em eleições na América Latina

Governo Lula manifesta preocupação com cenário regional e cita risco de ampliação da ingerência estadunidense em países sul-americanos

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone nesta terça-feira (6) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em seu primeiro contato oficial após o retorno de férias. Segundo relatos de interlocutores do Itamaraty à coluna de Paulo Cappelli, no portal Metrópoles, o diálogo teve como foco a posição do governo brasileiro contrária a qualquer tipo de intervenção externa em processos eleitorais na América Latina.

Durante a conversa, Vieira transmitiu ao chefe da diplomacia estadunidense a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a estabilidade democrática na região depende do respeito à soberania dos países e da não interferência de potências estrangeiras em disputas eleitorais internas.

Eleições sensíveis no horizonte regional

A preocupação do governo brasileiro ocorre em um contexto de calendário eleitoral relevante na América Latina. Em 2026, Brasil, Colômbia, Peru e Costa Rica realizarão eleições presidenciais, o que amplia a atenção diplomática sobre possíveis pressões externas e seus impactos na dinâmica política regional.

Entre esses países, o caso colombiano é visto como o mais sensível. A Colômbia é governada atualmente por Gustavo Petro, que não poderá concorrer à reeleição devido às regras eleitorais do país. O primeiro turno da eleição presidencial colombiana está marcado para 31 de maio, e, se necessário, o segundo turno ocorrerá em 21 de junho.

Pedido de apoio e temor de interferência

De acordo com informações obtidas por integrantes do Itamaraty, Gustavo Petro teria solicitado apoio do presidente Lula para mitigar qualquer tipo de interferência externa no processo eleitoral colombiano. O pedido teria sido motivado por preocupações após os Estados Unidos, sob Donald Trump, invadirem a Venezuela e sequestrarem o presidente Nicolás Maduro — o que acendeu alertas em governos vizinhos.

Segundo a avaliação de um integrante do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, há receio de que Washington não restrinja suas ações apenas ao território venezuelano, ampliando o alcance de operações militares ou de segurança para outros países da América do Sul.

Temor de incursões e papel da diplomacia brasileira

Assessores do presidente colombiano recorreram à diplomacia brasileira em busca de apoio para evitar que os Estados Unidos realizem incursões em território da Colômbia. A principal preocupação envolve ações justificadas sob o combate ao que autoridades dos EUA classificam como “narcoterrorismo”.

Para diplomatas brasileiros, a atuação do Brasil nesse contexto busca preservar a estabilidade regional e evitar que disputas geopolíticas externas interfiram em processos eleitorais sensíveis, sobretudo em países que enfrentam histórico de conflitos internos e forte polarização política.

Posicionamento do governo Lula

A conversa entre Mauro Vieira e Marco Rubio é vista, dentro do Itamaraty, como parte de um esforço mais amplo do governo Lula para reafirmar o papel do Brasil como defensor da soberania latino-americana e do princípio da não intervenção.

A avaliação interna é de que o diálogo diplomático antecipado pode ajudar a reduzir tensões e evitar movimentos que agravem o cenário político regional às vésperas de eleições importantes.

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