Mauro Vieira está na Casa Branca e busca reverter ‘tarifaço’ dos EUA em reunião com Marco Rubio

Chanceler mira redução das sobretaxas de até 50 %, enquanto os EUA ventilam condicionantes e pressões geopolíticas

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, chegou na tarde desta quinta-feira oficial à Casa Branca, em Washington, para se reunir com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O encontro, a portas fechadas, marca mais uma etapa nas negociações diplomáticas entre Brasília e Washington, e tem como foco central o chamado tarifaço imposto pelos EUA sobre uma série de produtos brasileiros.

O que está em jogo

Desde 6 de agosto, os governos estadunidenses aplicam uma sobretaxa de 50 % sobre diversos produtos importados do Brasil — resultado da combinação de uma tarifa já existente de 10 % com uma alíquota extra de 40 %.

Do lado brasileiro, a meta da missão é reverter o maior número possível dessas tarifas, minimizando os prejuízos para exportadores nacionais.

Os EUA, por sua vez, devem tentar negociar condições mais favoráveis, exigindo contrapartidas sempre que possível.

Essa estratégia diplomática surge logo após um telefonema entre os presidentes Lula e Donald Trump, e pode pavimentar um encontro presencial futuro entre os dois líderes.

Composição da delegação e estratégia brasileira

Para fortalecer a representação comercial e diplomática no encontro, Mauro Vieira escalou três auxiliares:

a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti;

o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, Maurício Lyrio;

o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros, Philip Fox-Drummond Gough.

Estratégia é centrar em temas econômicos

A escolha desses integrantes reflete o desejo brasileiro de concentrar a negociação no campo econômico — especialmente comércio e tarifas — embora haja reconhecimento de que o interlocutor americano Marco Rubio pode trazer a pauta para temas mais amplos, como geopolítica, América Latina, o Brics e acesso a recursos estratégicos.

Brics e o debate sobre uma moeda alternativa

Um ponto sensível nas conversas envolve a proposta de substituição do dólar por uma moeda comum nas transações entre países do Brics — tema que vira foco das ambições de mudança de influência global. Donald Trump já demonstrou oposição a essa ideia durante encontro com o presidente argentino Javier Milei, o que sinaliza que os EUA deverão tentar constranger o Brasil nesse tema.

No governo brasileiro, há cautela: assessores próximos a Lula têm orientado a evitar tratar esse tema de forma central, para não criar tensões antes da negociação econômica principal.

Cenários futuros e riscos da negociação

Mesmo que não haja um acordo imediato, esta reunião é encarada como um ensaio diplomático para moldar os termos de um diálogo bilateral mais amplo.

Há possibilidade de propostas intermediárias: os EUA poderiam oferecer reduções parciais das tarifas em troca de concessões brasileiras nas áreas de comércio, tecnologia, ou alinhamentos políticos.

Temas como minerais estratégicos, remoção de sanções contra autoridades brasileiras, ou exigências de reformulações comerciais podem entrar como barganhas nas tratativas.

Alternativamente, o Brasil também poderá recorrer ao mecanismo da Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a legalidade das medidas estadunidenses — ainda que esse caminho seja mais lento e incerto.

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