O Palácio do Planalto avalia que a reunião realizada em Washington entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, representou um ponto de inflexão nas relações bilaterais, informa reportagem da CNN Brasil. Para o governo brasileiro, o encontro indicou que será possível manter o diálogo concentrado em temas econômicos e comerciais, deixando de lado assuntos políticos e judiciais que vinham tensionando as conversas entre os dois países.
Os relatos que chegaram de Washington e Brasília após a reunião, realizada na quinta-feira (16), foram interpretados pelo Itamaraty como um sinal de que a diplomacia dos EUA aceita separar os “trilhos político e comercial”. Essa desvinculação, segundo integrantes do governo, é vista como essencial para destravar as negociações que buscam reduzir o tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.
Temas sensíveis ficaram fora da pauta
O Planalto destacou que o encontro não tratou da situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro nem das sanções aplicadas pela Casa Branca contra autoridades brasileiras, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A ausência desses temas foi interpretada como um gesto de boa vontade dos Estados Unidos e um indicativo de que Washington pretende concentrar as tratativas em questões econômicas.
Outro ponto considerado relevante foi a presença de Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA e chefe do USTR (United States Trade Representative), órgão responsável pela política comercial estadunidense. Para o governo brasileiro, sua participação sinaliza que o encontro teve caráter eminentemente técnico, voltado à busca de convergências na área de comércio exterior.
Diálogo para reduzir o tarifaço
Segundo fontes do Itamaraty, a reunião teve como foco a construção de um roteiro de cooperação que permita a retomada de fluxos comerciais interrompidos pelas tarifas impostas em 2024. O objetivo é definir um plano de trabalho para avançar em medidas de reciprocidade que possam justificar a suspensão ou redução das sobretaxas.
O governo reconhece que não havia expectativa de que a reunião resultasse em anúncios imediatos ou reversão das medidas. A intenção foi alinhar prioridades e identificar temas de consenso que possam embasar um encontro futuro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Preparativos para encontro presidencial
A diplomacia brasileira trabalha com a data de 26 de outubro para o encontro entre Lula e Trump, que deverá ocorrer durante a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. A presença do presidente dos EUA, contudo, ainda não foi confirmada oficialmente pela Casa Branca.
Integrantes do governo avaliam que o ambiente político nos Estados Unidos — marcado por disputas internas e pelo calendário eleitoral — pode atrasar a definição da viagem. Mesmo assim, o Planalto vê o diálogo aberto entre Mauro Vieira e Marco Rubio como um passo importante para reduzir as tensões e reconstruir a confiança entre os dois países.
A avaliação dentro do governo é de que a retomada da agenda comercial, livre de interferências políticas, representa uma oportunidade para o Brasil consolidar sua posição como parceiro estratégico dos Estados Unidos na América Latina e fortalecer o papel de Lula nas negociações internacionais.






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