Colômbia busca apoio do Brasil diante da ameaça dos EUA à América Latina

Governo Petro procura Itamaraty e teme ampliação das operações militares estadunidenses na região

O governo da Colômbia, liderado pelo presidente Gustavo Petro, procurou técnicos do Itamaraty para discutir mecanismos de proteção internacional após a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela. O movimento diplomático ocorreu em meio ao aumento da tensão regional provocado pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e pelas declarações recentes de autoridades estadunidenses.

De acordo com a avaliação de um integrante do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, há preocupação concreta de que Washington não restrinja suas ações ao território venezuelano e amplie o alcance de suas operações militares na América do Sul, sob diferentes justificativas de segurança.

Temor de expansão das ações militares

Assessores próximos a Petro buscaram junto à diplomacia brasileira garantias políticas de que os Estados Unidos não promovam incursões em território colombiano. O receio central é que ações militares sejam justificadas com base no combate ao que Washington classifica como “narcoterrorismo”, conceito frequentemente citado pelo governo dos EUA para embasar operações de segurança na região.

A preocupação ganhou força após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que adotou um tom hostil em relação ao governo colombiano e sugeriu que outros países poderiam se tornar alvos de ações semelhantes às realizadas na Venezuela.

Articulação regional sem consenso

No domingo (4/1), líderes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos se reuniram para discutir o sequestro de Maduro e tentar articular uma resposta regional coordenada. O objetivo do encontro foi preservar a estabilidade política e a integridade territorial dos países da região diante da escalada militar.

Apesar das manifestações de preocupação e da defesa de soluções diplomáticas, os países-membros da Celac não conseguiram chegar a um consenso sobre uma posição unificada ou sobre medidas concretas a serem adotadas em resposta à ofensiva dos EUA.

Debate no Conselho de Segurança da ONU

A crise também chegou ao plano multilateral. O Conselho de Segurança da ONU vai debater nesta segunda-feira (5) os ataques realizados na Venezuela. A expectativa é que o tema provoque divergências entre os membros permanentes e não permanentes do colegiado, refletindo a polarização internacional em torno da atuação dos Estados Unidos na América Latina.

Diplomatas brasileiros acompanham com cautela os desdobramentos, avaliando que o agravamento do conflito pode gerar impactos diretos sobre a segurança regional, fluxos migratórios e a estabilidade política de países vizinhos, como a própria Colômbia.

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