O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste sábado (25) a candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado de São Paulo. A decisão foi confirmada durante a convenção estadual da legenda, realizada em Campinas, marcando o início oficial da campanha petista para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Haddad volta a disputar o governo paulista após ter sido derrotado nas eleições de 2022 pelo atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Advogado, professor de Ciência Política e ex-prefeito da capital paulista, ele deixou o cargo de ministro da Fazenda em março deste ano para concorrer novamente ao Executivo estadual.
A convenção contou com a presença de importantes lideranças da base governista, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e as pré-candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Os discursos foram marcados por críticas ao governo paulista, defesa das realizações das gestões petistas e alertas sobre o uso da inteligência artificial durante a campanha eleitoral.
Haddad faz críticas à gestão Tarcísio
Ao discursar para os convencionais, Fernando Haddad concentrou seus ataques na administração do governador Tarcísio de Freitas. O petista afirmou que áreas como segurança pública, saúde e educação enfrentam retrocessos e questionou indicadores apresentados pelo atual governo.
“Qual é a disputa que a gente faz com o Tarcísio? O que é possível disputar com ele, se tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado? Na segurança, na saúde e na educação, população em situação de rua. Esse que disse que acabou com a Cracolândia aumentou em 82%, segundo a Fundação Seade, como é que alguém bate no peito para falar desses indicadores?”, afrimou.
Haddad também criticou a política de privatizações conduzida pelo governo paulista, especialmente nos setores de saneamento e transporte ferroviário.
“As privatizações feitas a toque de caixa, tanto a Sabesp quanto o Metrô, CPTM entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. E a água está faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta d’água subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu”, citou.
As declarações reforçam a estratégia da campanha petista de transformar a eleição paulista em um confronto direto entre o modelo de gestão defendido pelo PT e o implementado pelo atual governador.
Lula alerta para uso da inteligência artificial na campanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a disputa eleitoral deste ano poderá ser marcada pelo uso de inteligência artificial para disseminação de desinformação.
“Esta eleição talvez seja a primeira eleição no Brasil em que os adversários, por não terem tamanho, não terem biografia, por não terem proposta, vão fazer o uso da inteligência artificial para tentar ludibriar a boa-fé do povo de São Paulo. É importante repetir isso. Os nossos adversários vão trabalhar muito nas redes digitais, com inteligência artificial, para inventar coisas que eles não fizeram. A base da sustentação da campanha deles é uma coisa chamada mentira.”
O presidente também reforçou a necessidade de mobilização dos apoiadores nas redes sociais e durante a campanha para enfrentar o que classificou como uma estratégia baseada na propagação de informações falsas.
Marina Silva e Simone Tebet reforçam apoio
Durante a convenção, a ministra Marina Silva destacou a atuação de Haddad à frente do Ministério da Educação e atribuiu a ele a ampliação das oportunidades para estudantes da periferia.
“É graças a você, Haddad, que nós andamos e encontramos pessoas de periferia nos institutos federais, dizendo que agora tem uma chance de sonhar, de ter uma vida melhor do que o pai e do que a mãe. Meus amigos, isso não tem preço. Eu estou aqui em legítima defesa de tudo que já fizemos, em legítima defesa do que tivemos que reconstruir, em legítima defesa do que precisamos fazer.”
Já Simone Tebet direcionou críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao comentar declarações sobre o sistema eleitoral brasileiro.
“Nós estamos no ano de 2026 enfrentando os mesmos desafios do passado, porque o presidente Lula e Geraldo Alckmin e o Brasil enfrentam do lado de lá não um democrata, mas um golpista de plantão. Porque tal pai, tal filho. Já começou questionando a segurança das urnas, porque já sabe, já tem, sente o cheiro da derrota em outubro e já quer colocar em dúvida os resultados das urnas.”
Trajetória política de Haddad
Filiado ao PT desde a década de 1980, Fernando Haddad construiu sua carreira conciliando a atividade acadêmica com a vida pública. Formado em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), tornou-se professor de Ciência Política da instituição.
Na administração pública, iniciou sua trajetória na Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy, e posteriormente atuou no Ministério do Planejamento.
Sua projeção nacional ocorreu ao assumir o Ministério da Educação nos governos Lula e Dilma Rousseff, permanecendo à frente da pasta por quase sete anos. Em 2012, foi eleito prefeito da capital paulista, mas não conseguiu a reeleição em 2016.
Em 2018, substituiu Lula na disputa presidencial após a inelegibilidade do petista, chegando ao segundo turno, quando foi derrotado por Jair Bolsonaro. Em 2022, disputou pela primeira vez o governo de São Paulo e perdeu para Tarcísio de Freitas.
No terceiro mandato de Lula, assumiu o Ministério da Fazenda em 2023, comandando a política econômica do governo até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar novamente o comando do estado de São Paulo.
Calendário eleitoral entra na reta decisiva
As convenções partidárias seguem até o dia 5 de agosto, prazo final para que os partidos oficializem seus candidatos. Em seguida, os registros deverão ser apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto.
A campanha eleitoral terá início oficialmente em 16 de agosto. No dia 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, dois senadores por estado, deputados federais, deputados estaduais e, no Distrito Federal, deputados distritais.





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