O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu São Paulo como o principal foco da etapa inicial da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informa a Folha de S. Paulo. Considerado o maior colégio eleitoral do país, o estado receberá os primeiros grandes eventos da campanha nacional, além de uma forte estratégia de publicidade digital voltada para destacar investimentos do governo federal e fortalecer, simultaneamente, as candidaturas de Lula à Presidência e de Fernando Haddad ao governo paulista.
A aposta da legenda parte da avaliação de que reduzir a diferença de votos em São Paulo foi determinante para a vitória de Lula em 2022 e poderá novamente ser decisiva na disputa de 2026. Por isso, o partido concentra recursos financeiros, agendas políticas e ações de comunicação na tentativa de ampliar sua presença no estado.
Publicidade digital mira municípios paulistas
Desde junho, o PT investiu mais de R$ 500 mil em anúncios nas plataformas da Meta, controladora do Facebook e do Instagram, direcionados a 25 cidades paulistas. As campanhas promovem obras e programas do governo federal executados nos municípios, muitas delas narradas pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes.
São Paulo é o único estado contemplado com anúncios impulsionados diretamente pela página nacional do partido.
“O governo federal tem feito muita coisa aqui e em todo o estado, mas tentam esconder isso de você”, afirma Haddad em uma das peças publicitárias.
A capital paulista concentrou o maior volume de investimento, superior a R$ 122 mil. Na sequência aparecem Campinas, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Segundo o partido, as publicações já ultrapassaram 43 milhões de impressões nas redes sociais e continuam sendo exibidas aos usuários.
O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) afirma que a escolha das cidades também leva em consideração o perfil do eleitorado.
“Cidades que têm universidades ou institutos federais serão priorizadas, pois teriam um público “mais aberto às nossas propostas”.”
Além disso, dirigentes petistas acreditam que a lembrança das administrações municipais comandadas pelo partido em décadas anteriores pode favorecer a legenda. Em seu período de maior força no estado, o PT chegou a administrar mais de 70 prefeituras paulistas.
Campanha nacional começa em território paulista
A prioridade dada a São Paulo também alterou o planejamento inicial da campanha presidencial. Originalmente prevista para Brasília, a convenção nacional que oficializará a candidatura de Lula foi transferida para a capital paulista.
Neste sábado (25), Lula participa em Campinas do ato que oficializará Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo.
Outra mudança importante envolve o lançamento oficial da campanha presidencial. Embora o partido estudasse realizar o evento no Nordeste, a decisão foi levá-lo para São Bernardo do Campo, cidade onde Lula iniciou sua trajetória sindical e política.
Nos bastidores, aliados relatam que o próprio presidente considera que a expressiva redução da vantagem de Jair Bolsonaro em São Paulo foi decisiva para sua vitória na eleição passada.
Em 2018, Fernando Haddad recebeu cerca de 7,2 milhões de votos no estado, enquanto Jair Bolsonaro alcançou aproximadamente 15,3 milhões. Quatro anos depois, Lula ampliou significativamente sua votação, chegando a 11,5 milhões de votos, enquanto Bolsonaro obteve 14,2 milhões, reduzindo a diferença para cerca de 2,6 milhões de votos.
“O grande desafio nosso é continuar diminuindo a diferença da votação do Lula em relação ao Bolsonaro”, explica Tatto.
“Então a estratégia é fincar o pé em São Paulo e disputar São Paulo, tanto para presidente como para governador. A campanha será feita colando Haddad e Lula. As agendas, os materiais, os visuais, o impulsionamento, tudo vai ter muito a cara dos dois”, acrescenta.
Na mesma linha, o deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira afirma que a prioridade eleitoral está concentrada no Sudeste.
“O Nordeste sempre comparece nas eleições, compareceu em todas as eleições do presidente Lula, da Dilma, e na eleição que o Haddad foi candidato. A disputa para tirar a diferença é São Paulo”, complementa o parlamentar.
Apesar disso, ele ressalta que Minas Gerais e Rio de Janeiro também terão papel estratégico na disputa presidencial.
Chapa reúne lideranças para ampliar alcance eleitoral
O desenho da campanha em São Paulo envolve uma composição considerada robusta pelo PT. Fernando Haddad terá como candidato a vice-governador o ex-governador Márcio França (PSB).
Na disputa pelo Senado, o grupo contará com duas ex-ministras: Simone Tebet (PSB), atual ministra do Planejamento, e Marina Silva (Rede), ministra do Meio Ambiente. Ambas transferiram o domicílio eleitoral para São Paulo para participar da eleição estadual.
Cada liderança deverá concentrar esforços em segmentos específicos do eleitorado. Geraldo Alckmin, Lu Alckmin e Simone Tebet atuarão principalmente no interior paulista. Márcio França concentrará sua campanha na Baixada Santista, enquanto Marina Silva buscará ampliar o diálogo com mulheres evangélicas.
Os petistas também trabalham para garantir que Haddad chegue ao segundo turno da eleição estadual. A avaliação interna é de que uma eventual vitória antecipada do governador Tarcísio de Freitas poderia permitir que ele concentrasse toda sua atuação na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Levantamento divulgado pelo Datafolha neste mês aponta Tarcísio na liderança da corrida pelo governo paulista, com vantagem de 16 pontos sobre Haddad. Mesmo assim, dirigentes do PT afirmam que trabalham com a perspectiva de uma campanha longa, estendendo a disputa até novembro.
Estratégia inclui renovação e disputa de narrativas
Outro eixo da campanha envolve o fortalecimento de lideranças jovens do partido, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo a secretária nacional de Juventude do PT, Julia Köpf, parlamentares da nova geração terão papel relevante como porta-vozes da legenda, em sintonia com o esforço de Lula para renovar a bancada petista na Câmara dos Deputados.
A campanha também pretende atribuir ao governo federal parte dos investimentos frequentemente associados à gestão do governador Tarcísio de Freitas, especialmente na área da saúde.
“Por exemplo, tabela do SUS [Sistema Único de Saúde] Paulista, não existe SUS Paulista, é o dinheiro do SUS do governo federal, entendeu? É para as pessoas reconhecerem de fato qual é o trabalho do governo Lula”, disse Köpf.
O governo paulista afirma que a Tabela SUS Paulista atualizou os valores pagos por procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde no estado, reduzindo a defasagem histórica dos repasses. Já o Ministério da Saúde sustenta que o aumento dos atendimentos decorre principalmente da ampliação dos investimentos federais, cujo orçamento para a saúde alcançou R$ 247,5 bilhões em 2026, valor 77% superior ao registrado em 2022.
Além de São Paulo, o PT também pretende concentrar esforços em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, mantendo sua vantagem eleitoral no Nordeste e buscando ampliar o desempenho no Sudeste.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, resume a estratégia da campanha petista para a eleição presidencial.
“Entendo que a eleição vai ser decidida em Minas, Rio e São Paulo, onde nós estamos com três palanques fortes, e, é claro, mantendo a nossa performance no Nordeste”, afirmou.





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