O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a aliados que pretende reenviar ao Senado Federal a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição inédita do nome do advogado-geral da União pela Casa. A decisão deve reacender a disputa política em Brasília e aumentar a tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
Segundo informações publicadas inicialmente pela Folha de S.Paulo, Lula quer reforçar que a escolha de ministros do STF é uma prerrogativa constitucional do presidente da República. Interlocutores afirmam que o petista considera que a rejeição atingiu diretamente o governo federal, e não apenas Jorge Messias.
A expectativa é de que o nome do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) seja reenviado antes das eleições de outubro. Nos bastidores, Lula tem dito a ministros e aliados que não houve justificativa técnica para barrar a indicação e que Messias demonstrou preparo durante a sabatina no Senado.
Aliados do presidente afirmam que manifestações públicas de apoio ao AGU fortaleceram a confiança de Lula no auxiliar. Um dos episódios citados foi a forte salva de aplausos recebida por Jorge Messias durante a posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
O gesto, porém, teria evidenciado o clima de distanciamento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo relatos, os dois quase não conversaram durante a cerimônia.
Após a derrota no Senado, Jorge Messias teria ficado recluso e chegou a cogitar deixar o governo. Lula, no entanto, pediu que ele não tomasse decisões imediatas. O advogado-geral entrou de férias no último dia 13 e deve retornar ao cargo em 25 de maio.
Dentro da AGU, integrantes avaliam que a permanência de Messias pode gerar dificuldades políticas na interlocução institucional com ministros do STF que se posicionaram contra sua indicação.
Nos bastidores do governo, aliados também defendiam Jorge Messias para assumir um eventual novo Ministério da Justiça, caso Lula decida dividir a atual pasta e criar um ministério exclusivo para Segurança Pública. A mudança depende da aprovação da PEC da Segurança no Congresso.
Antes da indicação, Lula chegou a considerar o nome de uma mulher para a vaga no STF, em meio à pressão de setores do PT por maior representatividade na Corte. Parlamentares do partido avaliavam que uma candidatura feminina poderia enfrentar menor resistência no Senado.
A rejeição do nome de Jorge Messias também expôs fragilidades na articulação política do governo com o Congresso. O número de votos favoráveis ficou abaixo da previsão feita por líderes governistas.
Mesmo assim, Lula afirmou a aliados que não pretende promover mudanças na equipe responsável pela articulação política. O presidente segue apoiando o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e também deve manter José Guimarães na condução das negociações políticas com o Congresso.






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