A eleição presidencial será decidida no próximo dia 25 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com o encerramento do primeiro turno, os candidatos que ficaram fora da disputa começaram a indicar como pretendem se posicionar na etapa final.
Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — uma diferença de 2,22 milhões de votos. Apenas Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que terminaram em terceiro, quarto e quinto lugares, reuniram cerca de 8,7 milhões de votos.
As primeiras manifestações ocorreram ainda no domingo (4), durante e após a apuração. Até agora, os posicionamentos passam principalmente pela neutralidade.
Caiado vai conversar com Kassab; PSD libera bases
Ronaldo Caiado afirmou que só anunciará sua posição depois de se reunir com Gilberto Kassab, presidente nacional do partido. O ex-governador de Goiás recebeu 2,60 milhões de votos, equivalentes a 2,18% dos válidos.
Ao comentar o resultado, Caiado disse que apesar de não ter vencido a eleição saiu da disputa “de pé”. Sobre o segundo turno, afirmou que pretende preservar sua “coerência”.
“Eu, neste momento, vocês sabem, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes também estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab”, afirmou Caiado a jornalistas.
Na noite de domingo, Kassab anunciou que o PSD não estabelecerá um apoio único. Os diretórios estaduais, parlamentares, lideranças, filiados e militantes terão liberdade para escolher quem apoiar tanto na eleição presidencial quanto nas disputas estaduais.
Segundo o dirigente, a decisão mantém a orientação adotada no primeiro turno, quando as instâncias estaduais puderam construir suas próprias alianças.
Cury não apoiará nenhum dos candidatos
Terceiro colocado, com 3,44 milhões de votos e 2,89% dos válidos, Augusto Cury anunciou que manterá a neutralidade. O escritor disse que pretende se “silenciar completamente” sobre os dois finalistas e que ninguém está autorizado a declarar apoio em seu nome.
Cury também afirmou que não pretende continuar na política e descartou assumir um ministério em um futuro governo. Também acrescentou que suas propostas continuam à disposição para quem desejar aproveitá-las.
Em carta divulgada à imprensa após o resultado, agradeceu os votos, cumprimentou os candidatos que passaram ao segundo turno e pediu que suas ideias sejam consideradas pelo próximo presidente. “Quem ganhar torço para que governe pensando em um Brasil de esperança”, escreveu.
Renan também se abstém
Renan Santos, que recebeu 2,67 milhões de votos — 2,24% dos votos válidos —, também descartou apoiar os candidatos do segundo turno. Ele afirmou que não fará campanha para nenhum dos dois nem pelo voto nulo.
Durante uma transmissão após a consolidação do resultado, Renan afirmou considerar que Flávio “já ganhou” e disse para que seus eleitores votem em quem quiserem.
“O Flávio Bolsonaro já ganhou. E antes de alguém perguntar em quem eu vou apoiar no segundo turno. Faz diferença? Façam o que quiserem. Eu já avisei que eu não voto em bandido. Não recomendo a ninguém que vote em bandido. Flávio é bandido. Lula é bandido. Mas não faz diferença alguma, façam o que vocês quiserem aí”, declarou.
Apesar das críticas ao resultado da eleição, Renan disse que continuará na política e pretende dar sequência à construção de sua legenda para as próximas disputas.
Zema reafirma oposição ao PT, mas não cita Flávio
Romeu Zema indicou que permanecerá no campo contrário ao partido de Lula. Durante a apuração, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que, “onde tiver PT”, ele e seu partido estarão “do outro lado”.
Na primeira manifestação pública sobre o segundo turno, porém, Zema não citou nominalmente Flávio Bolsonaro nem formalizou apoio ao candidato do PL. O ex-governador também destacou que uma das prioridades de sua sigla na eleição foi o cumprimento da cláusula de barreira, para garantir prerrogativas e recursos na próxima legislatura.







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