O PP e o União Brasil, que formam uma federação partidária, declararam nesta terça-feira apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial. A decisão representa um revés para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará a segunda rodada contra o candidato do PL. As duas siglas haviam adotado neutralidade no primeiro turno.
A posição foi definida em reunião das Executivas Nacionais dos dois partidos com presidentes de diretórios estaduais, deputados e senadores. Segundo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), líder do partido no Senado, a decisão foi unânime. Ela afirmou que os partidos “fecharam questão”, mas evitou dizer se haverá punição para filiados que decidirem apoiar Lula.
Partidos ainda têm nomes ligados ao governo
O PP mantém relação com o governo federal. A legenda indicou André Fufuca (MA) para o Ministério do Esporte em 2023. Ele deixou a pasta em abril para disputar o Senado. O partido também tem integrantes que apoiaram Lula no primeiro turno e devem permanecer com o petista, como o governador eleito da Paraíba, Lucas Ribeiro.
O União Brasil também teve participação no governo desde o início da gestão Lula, embora tenha rompido formalmente com o Executivo em setembro de 2025. Ainda assim, nomes indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ocupam ministérios, como Frederico de Siqueira Filho, nas Comunicações, e Waldez Góes, no Desenvolvimento Regional.
Apoio dá capilaridade política a Flávio
Os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, participaram da reunião que definiu o apoio. Os dois já conversaram com Flávio, segundo relatos de integrantes da cúpula da federação. Um ato com o candidato e representantes das legendas está previsto para esta quarta-feira, em Brasília.
Como PP e União Brasil integram uma federação, os dois partidos precisam adotar a mesma posição eleitoral. O apoio não altera o tempo de propaganda no segundo turno, que é igual para os dois candidatos, mas amplia a estrutura política de Flávio nos estados e pode agregar novas lideranças à campanha.
Centrão aponta desgaste com o PT
Um dos fatores considerados pelos dirigentes foi o fim das disputas estaduais e proporcionais, que obrigavam candidatos das legendas a conciliar interesses locais com a eleição presidencial. Outro ponto de desgaste foi a relação entre o PT e Ciro Nogueira no Piauí, onde o presidente do PP não conseguiu se reeleger ao Senado.
Aliados de Ciro reclamam que Lula não teria cumprido um suposto acordo de não agressão ao senador em troca da neutralidade do PP no primeiro turno. O PT no Piauí nega a existência desse compromisso. Dirigentes do Centrão também apontam críticas à atuação petista nas disputas estaduais como fator para a adesão a Flávio.
Flávio busca ampliar alianças
Antes mesmo do fim do primeiro turno, Ciro Nogueira já articulava apoio a Flávio, segundo relatos. A relação entre os dois, porém, sofreu um abalo durante as investigações envolvendo o Banco Master. Ciro foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura se ele usou o mandato para beneficiar Daniel Vorcaro, dono da instituição.
Flávio também passou a ser investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal relacionado ao caso, por ter pedido a Vorcaro recursos para financiar um filme em homenagem a Jair Bolsonaro. Depois do afastamento político entre Ciro e Flávio, os dois voltaram a se aproximar em meio à disputa pelo segundo turno.
Lula tenta preservar apoio de lideranças
Flávio também se reuniu nesta terça-feira com Ronaldo Caiado (PSD), que ficou em quinto lugar no primeiro turno e anunciou apoio ao candidato do PL. O PSD, porém, decidiu permanecer neutro e liberou seus filiados. O senador ainda busca o apoio do Republicanos, cuja bancada no Congresso deve discutir a posição nesta quarta-feira.
Do lado de Lula, a estratégia é atrair setores e lideranças do PP e do União Brasil. A expectativa de governistas é contar com o apoio de Davi Alcolumbre e Hugo Motta (Republicanos-PB). Motta já declarou apoio à reeleição de Lula, enquanto Alcolumbre tem mantido proximidade com o presidente, mas não participou da reunião que aprovou o apoio a Flávio.







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