A Câmara dos Deputados que tomará posse na próxima legislatura terá mais mulheres e será ligeiramente mais jovem, mas as mudanças registradas nas urnas não foram suficientes para alterar de forma significativa o perfil predominante dos parlamentares. Os dados dos 513 deputados eleitos mostram que o retrato médio da Casa continua sendo o de um homem, heterossexual, branco, casado, com ensino superior completo e perto dos 50 anos.
A eleição produziu, porém, marcas inéditas. Pela primeira vez, mais de 100 mulheres ocuparão simultaneamente cadeiras na Câmara. Foram eleitas 109 deputadas, enquanto os homens somam 404 parlamentares.
Outra novidade está na idade. A média dos eleitos caiu para 49 anos e sete meses, quatro meses abaixo dos 49 anos e 11 meses registrados entre os escolhidos nas eleições de 2022.
A nova legislatura também terá o deputado mais jovem da história. Alvinho Lira (PP-AL), filho de Arthur Lira, chegará à Câmara aos 20 anos.
Mulheres ultrapassam marca histórica
Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a representação feminina atingiu um novo patamar. Das 513 cadeiras, 109 serão ocupadas por mulheres, correspondendo a 21,1% da Câmara.
Apesar do recorde, os homens permanecem amplamente majoritários. Eles ocuparão 404 vagas, o equivalente a quase quatro de cada cinco cadeiras da Casa.
Os dados sobre orientação sexual também mostram forte predominância dos que se declaram heterossexuais. São 307 parlamentares nessa categoria, enquanto 109 optaram por não informar essa característica.
Entre os demais eleitos, três se declararam bissexuais, dois gays e duas lésbicas.
Representação racial recua
Enquanto a participação feminina aumentou, a composição racial caminhou em outra direção. Dos deputados eleitos, 374 se declararam brancos, o equivalente a 72,9% do total da Câmara.
Os parlamentares pardos somam 106, enquanto 29 se declararam pretos. Juntos, pretos e pardos ocuparão 135 cadeiras. Em 2022, eram 139 parlamentares nessas duas categorias, o que representa uma redução de 2,9%.
O movimento ocorre ao mesmo tempo em que cresce o número de deputados brancos eleitos, revertendo uma tendência observada desde 2014.
Casados e graduados são maioria
O estado civil também ajuda a desenhar o perfil predominante da próxima Câmara. Entre os 513 deputados, 356 são casados. Outros 96 são solteiros e 55, divorciados. Há ainda três separados judicialmente e três viúvos.
O nível de escolaridade dos eleitos é elevado. Ao todo, 421 deputados declararam ter concluído algum curso superior, enquanto outros 40 informaram ter graduação incompleta.
Entre os demais, 36 possuem ensino médio completo e três não concluíram essa etapa. Oito estudaram até o ensino fundamental completo e cinco não chegaram a concluí-lo.
A fotografia dos eleitos mostra, portanto, que as mudanças de gênero e idade convivem com características que permanecem praticamente intactas na Câmara: a predominância de homens brancos, casados e com formação universitária.
Reeleição mantém peso na Câmara
Outro número ajuda a explicar por que a renovação não alterou profundamente o perfil da Casa. A ocupação mais declarada pelos candidatos eleitos foi justamente a de “deputado”, citada por 201 parlamentares.
Além disso, 301 deputados conquistaram a reeleição. O índice chegou a 58,6%, mostrando que mais da metade da próxima composição será formada por parlamentares que conseguiram renovar seus mandatos.







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