A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de promover um “tesouraço” nos gastos públicos caso seja eleito presidente tornou-se um dos novos focos da disputa do segundo turno. Nesta terça-feira (6), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à proposta resgatando cortes, bloqueios e reduções de recursos ocorridos durante o governo de Jair Bolsonaro em áreas sociais, numa tentativa de associar o plano econômico do adversário ao histórico da gestão de seu pai.
O “tesouraço” consta do programa de governo de Flávio, que prevê corte de pelo menos dez ministérios, redução de cargos comissionados e despesas administrativas, combate a supersalários, retomada de privatizações e criação de uma nova regra para conter despesas. O documento, porém, afirma que os programas sociais existentes serão mantidos, com aperfeiçoamento da gestão e combate a fraudes.
“Nossa bandeira é um grande tesouraço: um corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina, coloca as contas em ordem e reduz os impostos que pesam sobre quem produz”, afirma o plano registrado pelo candidato na Justiça Eleitoral.
Lula usa gestão Bolsonaro no contra-ataque
A campanha petista decidiu explorar justamente a falta de detalhamento sobre onde recairá parte do ajuste. Em vídeo publicado nas redes sociais de Lula nesta terça-feira, a propaganda recupera decisões tomadas durante o governo Jair Bolsonaro e sustenta que políticas sociais poderiam voltar a ser atingidas por uma política de redução mais intensa das despesas.
“Flávio Bolsonaro vive dizendo que vai fazer um tesouraço no Brasil. Tesouraço, tesouraço, tesouraço, tesouraço. Mas quando um dos Bolsonaros fala em corte, é preciso relembrar para não repetir”, afirma o vídeo da campanha.
Entre os exemplos apresentados está o Farmácia Popular. Na proposta orçamentária para 2023, elaborada no último ano da gestão Bolsonaro, os recursos destinados à gratuidade de medicamentos seriam reduzidos de aproximadamente R$ 2 bilhões para R$ 841,7 milhões.
A propaganda também cita o financiamento da alimentação escolar. Em 2022, Jair Bolsonaro vetou o reajuste, aprovado pelo Congresso, dos repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Na época, o governo justificou que a correção aumentaria a rigidez orçamentária e poderia comprometer recursos de outras áreas.
Ajuste fiscal entra no centro da campanha
O vídeo de Lula também menciona políticas como Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida, cisternas e assistência social. A estratégia é apresentar o debate fiscal não apenas como uma discussão sobre equilíbrio das contas públicas, mas como uma escolha sobre quais despesas seriam atingidas.
Lula reforçou esse argumento em encontro com governadores, parlamentares e lideranças políticas na segunda-feira (5). “Toda vez nesse país que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social. Não é tirar os benefícios dos ricos. É tirar os benefícios dos pobres”, declarou.
Flávio, por sua vez, tem apresentado o “tesouraço” como uma proposta para reduzir o tamanho e o custo da máquina pública.
Programa de Flávio prevê manutenção de benefícios
A ofensiva petista ocorre, portanto, sobre um terreno ainda não completamente detalhado pela candidatura adversária. Embora o plano de Flávio defenda um corte profundo de despesas, ele não aponta especificamente benefícios sociais que seriam reduzidos.
O tamanho e o alcance do ajuste também permanecem sem detalhamento completo. O programa propõe substituir o atual arcabouço fiscal por uma regra mais rígida, reduzir ministérios e retomar privatizações, enquanto especialistas apontam que medidas administrativas isoladas têm alcance limitado diante do volume das despesas obrigatórias federais.







Deixe um comentário