O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera diferentes perfis para comandar o futuro Ministério da Segurança Pública, uma das principais novidades previstas para seu quarto mandato. Entre os nomes cotados estão o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), e os políticos Rui Costa e Camilo Santana, ambos próximos ao presidente e defensores de medidas mais duras no combate à criminalidade.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, interlocutores de Lula afirmam que nenhum dos nomes foi sondado oficialmente até o momento. A discussão, porém, já envolve possíveis candidatos e o perfil esperado para a chefia da nova estrutura.
A intenção do presidente é ampliar o protagonismo do governo federal na área de segurança pública e reforçar o combate ao crime organizado, tema que ganhou destaque durante a campanha eleitoral. No segundo turno, Lula adotou o lema: “Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão”.
Ministério depende da PEC da Segurança
A criação do Ministério da Segurança Pública é uma promessa de campanha de Lula e está vinculada à aprovação da PEC da Segurança no Senado. A proposta, considerada uma das prioridades do governo para o fim do ano, prevê mudanças nas atribuições da União na gestão da segurança pública.
Com a criação da nova pasta, a área seria separada do Ministério da Justiça e passaria a contar com uma estrutura própria. A definição de um orçamento específico também entraria em discussão.
A mudança busca dar maior peso institucional à política de segurança pública no governo federal. A escolha do ministro será estratégica, uma vez que a nova estrutura deverá apresentar resultados e desenvolver uma atuação própria no enfrentamento à criminalidade.
Lincoln Gakiya é cotado pela atuação contra o PCC
Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya acumula cerca de duas décadas de atuação no combate ao crime organizado. Seu nome é considerado por aliados como uma alternativa para demonstrar o compromisso do governo com o enfrentamento às facções criminosas.
Um dos episódios mais conhecidos de sua trajetória ocorreu em 2019, quando Gakiya pediu a transferência de Marcola e outros 21 integrantes da cúpula do PCC para o sistema penitenciário federal. A iniciativa foi tomada em meio a preocupações com possíveis reações da facção.
A atuação do promotor contra o grupo criminoso também faz com que ele necessite de um esquema de segurança reforçado. Defensores de sua indicação avaliam que sua experiência técnica poderia dar à nova pasta um perfil voltado diretamente ao combate ao crime organizado.
Rui Costa e Camilo Santana também estão na disputa
Rui Costa e Camilo Santana são outras alternativas consideradas para o comando do ministério. Ambos têm experiência administrativa, proximidade com Lula e trajetórias como governadores: Rui Costa comandou a Bahia, enquanto Camilo Santana esteve à frente do Ceará.
Os dois também são apontados por aliados como integrantes do PT que defendem uma abordagem mais rigorosa contra a criminalidade. Nos últimos meses, tiveram influência na discussão sobre o discurso do presidente em relação à segurança pública.
Durante a campanha eleitoral, ambos atuaram na defesa de medidas como o endurecimento de penas. Também participaram das articulações que antecederam a declaração de Lula, em entrevista ao Jornal Nacional, de apoio à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
“Em todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade penal”, afirmou o presidente na entrevista.
Escolha divide avaliações entre aliados de Lula
Apesar de a trajetória de Gakiya ser vista com simpatia por Lula, não há consenso em torno de seu nome entre os interlocutores do presidente. Uma das ponderações é que o comando de uma pasta considerada sensível exige experiência política e capacidade de gestão para responder às cobranças por resultados.
Nesse contexto, Rui Costa e Camilo Santana são citados por sua experiência à frente de governos estaduais e pela relação próxima com o presidente. A avaliação entre aliados é que o futuro ministro precisará combinar conhecimento sobre segurança pública, articulação política e capacidade de implementar medidas concretas.
Até o momento, não há definição oficial sobre o escolhido. A indicação dependerá também do avanço da proposta que prevê a criação do ministério, enquanto o governo avalia qual perfil poderá conduzir a política federal de segurança pública no próximo mandato.







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