Ronald Nogueira
Douglas Ruas terá de conciliar a lealdade política que ajudou a elegê-lo com as exigências de governar um Rio de Janeiro endividado e pressionado por problemas de segurança. Decisivo para a vitória, o apoio de Flávio Bolsonaro continuará a pesar nas escolhas do futuro governador. A relação com o senador, porém, precisará conviver com a necessidade de buscar recursos e negociar com o governo Lula.
A dívida estadual será um dos principais condicionantes dessa relação. Com os cofres combalidos, Ruas terá margem estreita para ampliar investimentos e atender às expectativas criadas na campanha. A necessidade de negociar as obrigações financeiras do estado exigirá interlocução com Brasília, impondo uma dimensão prática à relação com o governo federal: preservar canais para defender os interesses do Rio enquanto mantém o alinhamento com Flávio.
Esse percurso ocorrerá em um bolsonarismo sem comando nacional definido. Com Flávio nos Estados Unidos desde terça-feira, governadores e parlamentares seguem sem clareza sobre de quem partirão as orientações. A indefinição tende a favorecer movimentos próprios e disputas por influência, enquanto Ruas precisará construir autoridade para conduzir o governo e sustentar decisões que poderão trazer desgaste.
O anúncio iminente do secretariado de Ruas dará os primeiros sinais dessa acomodação.
Na segurança pública, a cobrança por resultados acrescentará pressão. Identificado com o bolsonarismo, Ruas terá de converter o discurso eleitoral em capacidade de gestão, sob as restrições impostas pela dívida e pela escassez de recursos. A montagem da equipe e a definição das primeiras prioridades mostrarão como pretende equilibrar os compromissos políticos com as condições financeiras do estado.







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