PF investiga se Eduardo Bolsonaro ajudou a ocultar fuga de Flávio para a Argentina

Investigadores apuram como o senador deixou o Brasil, apesar de decisão do STF, e se o irmão participou da divulgação de informações para despistar o trajeto.

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A Polícia Federal investiga como o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o impedia de sair do país. Os investigadores apuram a suspeita de que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro tenha ajudado a desviar a atenção do percurso utilizado pelo irmão.

Segundo informações do g1 reproduzidas pelo Brasil 247, uma das linhas de investigação envolve a divulgação de informações desencontradas que podem ter sido usadas para despistar a rota. A possível participação de Eduardo Bolsonaro e de integrantes do governo argentino também é examinada, mas não há conclusões definitivas sobre essas hipóteses.

A PF informou que não encontrou registro oficial de saída de Flávio, de sua mulher, Fernanda, e das duas filhas do território brasileiro. A entrada da família na Argentina, porém, foi confirmada pelas autoridades migratórias do país vizinho, que registraram a passagem pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, na noite de terça-feira (27).

Passaporte italiano foi usado na viagem

Flávio embarcou em um avião particular utilizando passaporte italiano. Fernanda e as duas filhas menores de idade viajaram com passaportes brasileiros.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado o cancelamento e a entrega dos passaportes comum e diplomático do senador. Em outra decisão, à qual a TV Globo teve acesso, Moraes afirmou que a proibição de deixar o Brasil decorria da ordem anterior relativa aos documentos.

A Polícia Federal confirmou o cancelamento dos dois passaportes brasileiros e informou que incluiu um alerta no Sonar, sistema utilizado para o controle migratório e o acompanhamento de entradas e saídas em fronteiras, aeroportos e portos.

A corporação esclareceu, entretanto, que restrições a documentos de viagem, isoladamente, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam automaticamente prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares.

Travessia pela fronteira não exige registro de saída

Imagens de câmeras de segurança registraram movimentação na Ponte Internacional Tancredo Neves por volta das 22h50 de terça-feira (27), pouco antes do horário de entrada da família registrado pelas autoridades argentinas.

Naquele ponto da fronteira, o registro formal de saída junto às autoridades brasileiras não é obrigatório. Do lado argentino, a apresentação de documentos e o registro migratório são exigidos.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio e seus familiares apresentaram documentação válida e não tinham impedimentos legais para entrar no país. Segundo o órgão, o procedimento ocorreu sem intercorrências.

O governo argentino divulgou a confirmação da entrada do senador e de sua família na madrugada de quarta-feira (28), em comunicado publicado nas redes sociais.

Avião seguiu para o Equador antes de ir aos Estados Unidos

Após a travessia, a família se dirigiu ao aeroporto de Puerto Iguazú, situado a aproximadamente 20 quilômetros da fronteira. Segundo o governo argentino, o grupo embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires, com destino a Guayaquil, no Equador.

Dados de uma plataforma de monitoramento aéreo indicam que a aeronave decolou às 0h22, pelo horário de Brasília, seguindo uma rota que evitou o espaço aéreo brasileiro.

O avião pousou em Guayaquil às 5h46 e voltou a decolar às 6h22, desta vez com destino aos Estados Unidos. A aeronave utilizada era um Gulfstream G400, modelo que, conforme informações comerciais da Baires citadas na reportagem, comporta até 13 passageiros.

Empresa responsável pelo voo também é investigada

Segundo a imprensa argentina, a empresa Baires é investigada pela Justiça daquele país em um suposto esquema de propina envolvendo Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei. Ela nega envolvimento.

As diligências da Polícia Federal sobre a saída de Flávio Bolsonaro começaram na terça-feira (27). Os investigadores trabalham para reconstruir o percurso do senador até a fronteira e esclarecer as circunstâncias da viagem.

A apuração também busca determinar se houve uma operação para ocultar o trajeto e identificar eventuais participantes. Até o momento, não há conclusão divulgada que comprove a participação de Eduardo Bolsonaro ou de autoridades argentinas no caso.

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