Lula inicia ‘limpeza’ política após derrota na Câmara e demite indicados do Centrão

Governo retira cargos de aliados de deputados que votaram contra a MP 1303 e reforça estratégia de recomposição da base para 2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a reagir à derrota sofrida na Câmara dos Deputados e iniciou uma ampla reestruturação política, com a demissão de indicados do Centrão em cargos estratégicos. Segundo a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, a medida atinge parlamentares que votaram contra a Medida Provisória 1303, proposta pela equipe econômica para evitar um aumento do IOF. “Quem votou contra optou por sair do governo”, afirmou.

Demissões atingem estatais e órgãos federais
As exonerações já chegaram à Caixa Econômica Federal, Correios, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além de superintendências no Ministério da Agricultura e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Os cortes atingem nomes ligados a partidos como PP, União Brasil, PSD, MDB e PL — siglas que compõem o grupo político mais afetado.

Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do Planalto, explicou que o objetivo é reorganizar a base de apoio do governo no Congresso. “Não se trata de uma simples retaliação. Queremos saber com quem podemos contar. O corte não é partidário, mas baseado no comportamento dos parlamentares”, disse.

Centrão e oposição se aproximam para 2026
A crise ocorre em meio ao movimento de partidos do Centrão para formar uma frente de oposição a Lula nas eleições presidenciais de 2026. O nome mais cotado para liderar esse grupo é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, nos bastidores, teria atuado para derrotar a MP 1303 — apelidada de “MP Taxa Tudo” pela oposição.

Após o revés, o Planalto determinou a demissão de aliados de deputados considerados “infiéis”. Entre eles, Lena Brandão Fernandes, superintendente do Iphan no Maranhão e irmã do líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas (MA), que votou contra o governo.

Reação dentro do Congresso
Gleisi Hoffmann comunicou ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que o governo “não ficará de braços cruzados” diante das traições. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), confirmou a orientação para o que chamou de “nova fase” na relação com o Legislativo. “Não é razoável o que aconteceu na votação da MP 1303. Isso tem a ver com a governabilidade e com a necessidade de aprovar propostas importantes até o primeiro semestre de 2026”, declarou.

Governo aposta em recomposição para aprovar pautas estratégicas
As medidas de Lula e Gleisi têm como pano de fundo a tentativa de recompor forças para garantir a aprovação de projetos-chave no Congresso, como o Orçamento da União, a PEC da Segurança Pública e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Mesmo com as tensões, o governo mantém apoio no Senado, especialmente de figuras como Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável por indicações como a de Frederico de Siqueira Filho no Ministério das Comunicações e de Waldez Góes na Integração Regional.

A estratégia do Planalto é clara: preservar aliados fiéis e afastar os que votaram contra o governo, numa tentativa de consolidar uma base sólida para a disputa eleitoral de 2026.

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