O supervisor do VAR na partida entre Alemanha e Curaçao, válida pela primeira rodada do Grupo E da Copa do Mundo, tornou-se alvo de debates nas redes sociais após um gesto exibido durante a transmissão oficial do jogo. O árbitro australiano Shaun Evans apareceu na cabine de vídeo fazendo um sinal semelhante ao tradicional “ok” com a mão direita, gesto que, em alguns contextos, é associado à simbologia da supremacia branca.
As imagens mostram Evans unindo as pontas do polegar e do indicador enquanto mantém os outros três dedos estendidos. O gesto passou a ser interpretado por grupos extremistas como uma referência à expressão “white power” (“poder branco”, em inglês). Nessa leitura, os três dedos levantados representariam a letra “W”, enquanto o círculo formado pelos dedos e a extensão da mão remeteriam à letra “P”.
Especialistas que estudam movimentos de extrema direita afirmam que esse tipo de simbologia é frequentemente utilizado como uma forma de comunicação codificada entre integrantes ou simpatizantes de grupos racistas. A estratégia permitiria que os envolvidos se identificassem mutuamente sem chamar atenção de pessoas que não conhecem o significado atribuído ao gesto.
Ao mesmo tempo, organizações que monitoram discursos de ódio alertam para a necessidade de cautela na interpretação. A Anti-Defamation League (ADL), uma das principais entidades dedicadas ao monitoramento de grupos extremistas nos Estados Unidos, destaca que o sinal de “ok” possui diversos significados legítimos e que nem toda utilização do gesto deve ser automaticamente entendida como uma manifestação de supremacismo branco.
Quem é Shaun Evans
Com mais de duas décadas de atuação na arbitragem, Shaun Evans é considerado um dos nomes mais experientes do futebol australiano. Ao longo da carreira, recebeu prêmios como árbitro revelação e árbitro do ano concedidos pela federação nacional, além de ter sido reconhecido como o melhor árbitro do país na temporada 2018-19.
Evans estreou em Copas do Mundo como integrante da equipe de arbitragem de vídeo em 2022 e vem atuando em competições internacionais organizadas pela FIFA.
Fifa ainda não se pronunciou
Até o momento, a FIFA não divulgou qualquer posicionamento oficial sobre a repercussão das imagens. Procurada por veículos de imprensa, a entidade máxima do futebol mundial ainda não havia se manifestado sobre o episódio até a publicação das reportagens que divulgaram o caso.





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