Exonerações expõem presença de quase 400 filiados do Centrão em cargos do governo Lula

Levantamento mostra que União Brasil, MDB, PSD, PP e Republicanos concentravam indicados políticos em ministérios e órgãos estratégicos antes do corte decidido após derrota no Congresso

Cerca de 380 filiados a partidos do Centrão que controlam ministérios na Esplanada dos Ministérios ocupavam cargos comissionados no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a última sexta-feira (10). As exonerações em massa foram publicadas no Diário Oficial da União após o governo decidir reagir à derrota sofrida no Congresso, quando siglas aliadas votaram para deixar caducar a medida provisória que aumentava impostos sobre apostas esportivas e investimentos financeiros.

O levantamento, feito a partir de cruzamento de dados pelo portal UOL, mostra a distribuição de filiados a União Brasil, MDB, PSD, PP e Republicanos em diferentes pastas. Os números expõem a dimensão da presença política do Centrão dentro da máquina federal e a força desses partidos nas negociações por cargos e recursos.

União Brasil lidera indicações

O União Brasil, que comanda o Ministério da Integração Regional, foi o partido com mais filiados nomeados: 119 no total, espalhados por 26 ministérios. Além da pasta chefiada por Waldez Góes, apadrinhada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), há presença significativa de filiados na Presidência da República, na Advocacia-Geral da União (AGU) e nos Ministérios dos Transportes e dos Povos Indígenas — neste último, em divisões da Funai.

Os principais órgãos com filiados do partido são:

  • Integração Regional: 18 cargos
  • Presidência: 10
  • AGU: 9
  • Transportes: 6
  • Povos Indígenas: 6

MDB concentra indicações em pastas estratégicas

O MDB aparece em segundo lugar, com 112 cargos de filiados em ministérios e órgãos federais. A pasta dos Transportes, comandada por Renan Filho (MDB-AL), é a que mais abriga indicados, seguida da Saúde, Gestão e Inovação, Minas e Energia e Presidência.

Distribuição dos cargos de filiados do MDB:

  • Transportes: 15
  • Saúde: 11
  • Gestão e Inovação: 8
  • Minas e Energia: 7
  • Presidência: 6

PSD amplia espaço sob o governo Lula

Com 63 cargos ocupados por filiados, o PSD é o único partido do grupo que aumentou o número de nomeações desde o início do governo. O crescimento coincide com o fortalecimento das pastas comandadas pela legenda, como os Ministérios da Agricultura e da Pesca, que concentram 17 cargos cada.

Outras áreas com presença expressiva de filiados do PSD incluem Saúde, Integração e Povos Indígenas.

PP e Republicanos reforçam presença após acordos políticos

O PP, partido do ministro dos Esportes André Fufuca (PP-MA), soma 48 filiados em cargos comissionados. Além de sua própria pasta, há indicados na AGU, Saúde, Integração e Gestão e Inovação.

O Republicanos, por sua vez, ocupa 36 postos com filiados, especialmente nos Ministérios da Integração, dos Povos Indígenas, dos Transportes e de Portos e Aeroportos — este último chefiado por Silvio Costa Filho (Republicanos-PE).

Distribuição dos cargos de filiados do Republicanos:

  • Integração: 5
  • Povos Indígenas: 4
  • Transportes: 4
  • Portos e Aeroportos: 3
  • Agricultura: 3

Reforço político e posterior reação do Planalto

A nomeação de ministros ligados ao Centrão foi uma estratégia do governo Lula para consolidar maioria no Congresso e aprovar pautas econômicas e orçamentárias. Entre os principais nomes que ampliaram a presença dos partidos na Esplanada estão Celso Sabino (União Brasil-PA), nomeado para o Turismo; André Fufuca (PP-MA), nos Esportes; e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), em Portos e Aeroportos.

Apesar das concessões, a decisão das bancadas do União Brasil, PP e Republicanos de votar contra a MP do aumento de impostos provocou desgaste político e levou o Planalto a iniciar uma reavaliação dos cargos controlados por essas legendas. As exonerações publicadas na sexta-feira atingiram diversos postos de confiança ocupados por apadrinhados desses partidos.

Metodologia do levantamento

O levantamento considerou apenas cargos comissionados ocupados por pessoas oficialmente filiadas a partidos políticos — o que exclui nomeações de origem política, mas sem registro partidário. Foram analisados cargos classificados como CA, CAS, CCX, CCD, CCT, CCE, CGE e cargos de natureza especial, além de funções nas quais constava a descrição “cargo em comissão”.

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