O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta sexta-feira ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu a retomada das negociações sobre o tarifaço imposto aos produtos brasileiros. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa durou uma hora e vinte minutos e ocorreu em “tom amistoso e cordial”.
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), Lula afirmou que as alegações usadas pelos Estados Unidos para justificar as tarifas são “infundadas”. Os dois presidentes também discutiram segurança pública e conflitos internacionais.
Lula critica impacto das tarifas e pede negociação
O Brasil foi atingido por duas taxas impostas pelo governo americano: uma sobretaxa específica de 25% e outra de 12,5%, aplicada também a outros países. As tarifas se acumulam, com exceções para determinados produtos da pauta de exportação.
Segundo a nota do Planalto, Lula destacou que as medidas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu que a negociação é a melhor alternativa. Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltem a se reunir o mais rapidamente possível.
A tarifa adicional de 25%, em vigor desde 22 de julho, atinge 15% do volume exportado pelo Brasil aos EUA em 2025, equivalente a US$ 5,8 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Madeira, móveis, máquinas, calçados, cerâmica e açúcar estão entre os setores mais afetados.
Crime organizado também entrou na pauta
Na ligação, Lula reforçou o interesse em ampliar a cooperação bilateral contra o crime organizado, mas rejeitou a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas. O presidente afirmou que o país dispõe de instrumentos próprios para enfrentar esses grupos.
Segundo a Secom, Lula citou medidas para “asfixiar financeiramente a criminalidade”, além da intenção de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima. Trump, ainda conforme o governo brasileiro, se dispôs a reforçar a cooperação e mobilizar funcionários de alto escalão para avançar nos entendimentos.
Os presidentes também conversaram sobre a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio. Segundo o Planalto, houve concordância sobre a urgência de uma solução negociada entre Rússia e Ucrânia. Lula voltou a defender uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que grandes líderes são aqueles que encerram guerras







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