O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (15), que não sabia que o Bolsa Família estava sem reajuste pela inflação durante seu terceiro mandato. A declaração foi feita durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, ao ser questionado sobre o aumento do benefício anunciado poucos dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
A resposta colocou o programa social no centro da entrevista, em um momento em que Lula tenta conquistar o apoio de eleitores insatisfeitos com sua administração na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao explicar o anúncio, o presidente afirmou que tomou conhecimento da ausência de correção em uma reunião com ministros e demonstrou indignação com a situação.
“Eu não quero que você ouça a reunião que eu tive com os ministros quando fiquei sabendo que o Bolsa Família não tinha sido reajustado. É inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar pela inflação”, declarou.
A afirmação levantou questionamentos sobre o acompanhamento do programa pelo próprio presidente, já que o Bolsa Família é uma das principais políticas sociais de seu governo.
Lula afirma ter descoberto ausência de reajuste em reunião
Durante a entrevista, Lula procurou explicar as circunstâncias que levaram o governo a anunciar a correção do benefício às vésperas da votação.
Segundo o presidente, a decisão foi tomada depois que ele soube que os valores do programa não haviam acompanhado a inflação.
O petista afirmou considerar inexplicável que uma política de transferência de renda tão importante não tivesse recebido a atualização durante sua administração.
A justificativa, entretanto, não esclareceu por que a ausência de reajuste não havia sido identificada anteriormente pela Presidência da República.
Também não foram apresentados, nesse trecho da entrevista, detalhes sobre quando o problema foi levado ao conhecimento de Lula ou quais integrantes do governo participaram da decisão de corrigir os valores.
Anúncio perto da eleição provoca questionamentos
O momento escolhido para anunciar o reajuste também foi abordado na entrevista.
A medida foi divulgada poucos dias antes do primeiro turno, período em que o governo enfrentava questionamentos sobre o poder de compra das famílias e o impacto da inflação sobre os brasileiros de menor renda.
O Bolsa Família tem peso importante na política social federal e atende famílias em situação de vulnerabilidade econômica.
Por isso, mudanças nos valores pagos pelo programa costumam produzir efeitos diretos sobre o orçamento doméstico dos beneficiários.
O anúncio em plena campanha eleitoral abriu espaço para questionamentos sobre sua motivação política. Lula, por sua vez, apresentou o reajuste como uma correção necessária para preservar o valor do benefício.
A proximidade da eleição, isoladamente, não comprova finalidade eleitoral irregular. Uma avaliação dessa natureza depende das circunstâncias da medida e das regras aplicáveis.
Presidente também defende medidas contra endividamento
Na mesma entrevista, Lula abordou propostas destinadas a reduzir o endividamento das famílias e das empresas.
O presidente afirmou que essas iniciativas não comprometem o ajuste fiscal e defendeu uma nova versão do programa Desenrola, criado para facilitar a renegociação de dívidas.
Segundo Lula, a intenção é permitir que consumidores recuperem condições de acesso ao crédito e possam assumir novos compromissos financeiros.
A proposta foi apresentada como parte da estratégia de estimular o consumo e melhorar a situação econômica das famílias.
O presidente, entretanto, não detalhou nesse trecho os custos ou mecanismos de financiamento das novas medidas.
Entrevista ocorre na reta final do segundo turno
As declarações sobre o Bolsa Família foram feitas a dez dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Lula disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro em um cenário de empate técnico nas pesquisas de intenção de voto.
Levantamento Datafolha divulgado nesta quinta-feira mostra o senador com 47% das intenções de voto e o presidente com 45%, considerando o total de entrevistados.
Nos votos válidos, Flávio registra 51%, contra 49% de Lula. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.






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