Lula critica Trump, chama guerra no Irã de ‘maluquice’ e diz que Brasil é um dos menos afetados pela alta do petróleo

Em discurso na abertura da Feira de Hannover, na Alemanha, presidente defendeu segurança energética do país e cobrou parcerias tecnológicas em vez de apenas exportação de matérias-primas

O presidente Lula (PT) afirmou neste domingo (19) que o Brasil tem sentido menos os efeitos dos conflitos no Oriente Médio, especialmente em relação à alta do preço do petróleo. Durante discurso na abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, o petista classificou a guerra envolvendo o Irã e os Estados Unidos como uma “maluquice”.

“O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra feita com o Irã. Nós não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo como muitos países estão sofrendo, porque o governo tomou medidas e o Brasil só importa 30% do seu óleo diesel”, declarou.

Segundo o presidente, a menor exposição do país ao impacto externo está relacionada tanto a decisões adotadas pelo governo federal quanto à estrutura energética brasileira. Lula também voltou a defender a transição energética e afirmou que o Brasil tem potencial para produzir o “hidrogênio verde mais barato do mundo”.

Alfinetadas a Donald Trump

No campo internacional, o presidente fez críticas indiretas ao comportamento do líder dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem citá-lo nominalmente em todos os momentos, Lula afirmou que o mundo não pode se submeter a decisões unilaterais tomadas por meio de redes sociais.

“Não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por tweet ele pode taxar produtos, punir países e pode fazer guerra”, disse.

Durante o discurso, Lula também defendeu a necessidade de reformar organismos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, e criticou a imposição de barreiras comerciais a produtos brasileiros, especialmente no setor de biocombustíveis.

O presidente afirmou ainda que o Brasil não pretende assumir o papel de mero exportador de matérias-primas estratégicas, como terras raras, e defendeu que acordos internacionais incluam transferência de tecnologia e agregação de valor.

Na agenda bilateral, Lula destacou que o país está aberto a ampliar parcerias com a Alemanha em áreas como inteligência artificial, data centers e minerais críticos. Ele ressaltou que a relação entre os países é institucional e independe de alinhamentos ideológicos com o premiê alemão, Friedrich Merz.

Lula cumpre agenda de dois dias no país europeu e participa de encontros com empresários e autoridades locais antes de seguir para Portugal.

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