O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, classificando o conflito como “mentiroso” e “desnecessário”, segundo informações Grupo Cidade de Comunicação reportada pelo Brasil 247. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (1), o presidente afirmou que a guerra já provoca reflexos diretos na economia brasileira, especialmente no preço dos combustíveis.
Segundo Lula, a justificativa apresentada para a ofensiva militar não se sustenta. “Os Estados Unidos se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã alegando que no Irã tinha arma nuclear. Mentira!”, declarou.
O presidente relembrou ainda negociações conduzidas pelo Brasil em 2010, quando buscou um acordo com o governo iraniano. “Eu fui em 2010 ao Irã fazer um acordo. Fizemos um acordo para que o Irã pudesse enriquecer urânio nos mesmos métodos do Brasil”, afirmou, acrescentando que o entendimento não foi aceito por países ocidentais.
Críticas à escalada do conflito
Ao comentar o cenário internacional, Lula disse que divergências políticas não deveriam evoluir para confrontos armados. “Se tem uma divergência política entre Israel, Estados Unidos e Irã, não precisava terminar em guerra”, afirmou.
Ele também destacou a dimensão histórica e cultural do país persa. “O Irã é um país com quase 100 milhões de habitantes, com uma cultura milenar. Você não pode ficar atirando nos outros achando que vai resolver os problemas.”
O presidente voltou a questionar argumentos utilizados em intervenções militares anteriores, citando o caso do Iraque. “Cadê a bomba nuclear e as armas químicas do Saddam Hussein que até hoje não apareceram? (…) Isso é pretexto. Se conta uma mentira, divulga a mentira a vida inteira para você poder fazer essas bobagens”, disse.
Impacto direto no diesel e medidas do governo
Lula associou a alta internacional do petróleo ao bloqueio do Estreito de Ormuz, destacando que o Brasil já sente os efeitos no preço do diesel.
“O Brasil importa 30% de diesel. Está aumentando [o preço] no mundo inteiro”, afirmou.
Para conter o impacto interno, o governo adotou medidas tributárias. “Nós tomamos a atitude de isentar PIS e Cofins, equivalente a R$ 0,32 no preço do diesel, para a Petrobras não precisar aumentar”, explicou.
O presidente também relatou preocupação com possíveis aumentos indevidos praticados no mercado interno. “Como você tem gente mau caráter nesse país, tem gente que está, mesmo recebendo para não aumentar, aumentando”, afirmou.
Segundo ele, órgãos de fiscalização foram mobilizados. “Estamos com a Polícia Federal e Procons fiscalizando, porque vamos ter que colocar alguém na cadeia.”
Distribuição e dificuldade de controle de preços
Lula mencionou ainda a privatização da BR Distribuidora como um fator que dificulta o controle sobre o preço final dos combustíveis.
“Se a gente tivesse distribuidora, a gente controlava [o preço]. Porque a Petrobras abaixa o preço mas não chega na bomba”, disse.
A declaração reforça críticas recorrentes do governo à estrutura do mercado de combustíveis e às dificuldades de garantir que reduções nas refinarias sejam repassadas ao consumidor final.
Preocupação com alimentos e custo de vida
O presidente afirmou que o governo busca evitar que a alta dos combustíveis impacte diretamente o preço dos alimentos, com efeitos sobre o custo de vida da população.
“Nós vamos fazer o que estiver ao alcance do governo para não permitir que a guerra do senhor Trump e do senhor Netanyahu contra o Irã não aumente o preço do feijão, do alface, da salada”, declarou.
Ao final, Lula reiterou sua posição contrária ao conflito. “Essa guerra é desnecessária, não deveria existir”, afirmou, reforçando a necessidade de soluções diplomáticas para a crise internacional.






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