O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou a Polícia Federal para pedir uma investigação sobre a suposta fraude envolvendo a filiação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral. A representação amplia a disputa em torno do episódio e inclui um pedido que pode colocar frente a frente dois candidatos à Presidência da República: Flávio e Renan Santos, do Missão.
No documento, Lindbergh solicita a preservação de dados digitais relacionados ao episódio e a requisição de registros ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Senado e aos provedores envolvidos. O parlamentar também quer que sejam entregues à PF os documentos que Flávio e Renan afirmam possuir sobre o caso.
O petista pede ainda que os dois sejam ouvidos. Caso as divergências entre as versões apresentadas permaneçam, Lindbergh sugere que a Polícia Federal realize uma acareação formal entre eles.
Versões entram em choque
A representação ocorre após Flávio Bolsonaro e Renan Santos apresentarem versões diferentes sobre as circunstâncias da filiação.
Flávio afirmou ter sido vítima de fraude e acusou o “sistema” de tentar impedir sua candidatura. Renan, por sua vez, declarou que a pessoa responsável por filiar o senador ao Missão teve acesso ao e-mail de Flávio e confirmou o procedimento.
O Missão também sustenta que o gabinete do senador teria sido avisado sobre tentativas de filiação desde 2 de agosto, mas não respondeu às mensagens. Segundo a legenda, os e-mails enviados foram abertos.
A divergência entre essas versões é justamente um dos pontos que Lindbergh pretende ver esclarecido pela investigação policial.
TSE descarta invasão
Outro elemento citado no episódio é a posição do Tribunal Superior Eleitoral. O TSE descartou a ocorrência de invasão ou “hackeamento” de seu sistema.
De acordo com a Corte, a operação questionada foi realizada utilizando credenciais válidas do Missão. A informação acrescentou um novo componente à controvérsia, já que Flávio sustenta ter sido vítima de fraude.
Lindbergh quer que a PF reúna os registros digitais disponíveis para tentar reconstruir o caminho percorrido até a inclusão da filiação no sistema eleitoral e identificar quem efetivamente realizou os procedimentos.
Três hipóteses na mira
Na representação encaminhada à Polícia Federal, o deputado aponta três possibilidades que, em sua avaliação, precisam ser investigadas: fraude praticada por terceiro, eventual simulação ou instrumentalização do episódio pela própria legenda.
O parlamentar menciona ainda possíveis enquadramentos criminais, entre eles falsidade ideológica eleitoral, inserção de dados falsos e denunciação caluniosa. Caberá às autoridades responsáveis pela apuração avaliar se existem elementos para investigar essas hipóteses e eventuais crimes.
O pedido de acareação dependerá do andamento da investigação e da permanência das contradições entre os relatos. Por enquanto, trata-se de uma solicitação feita por Lindbergh à Polícia Federal, e não de uma medida já determinada.







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