O leilão de repactuação da concessão do principal aeroporto internacional do Rio, marcado para 30 de março, ganhou tração no mercado com a entrada de novos interessados estrangeiros. Fontes do setor indicam que a suíça Zurich Airport e a espanhola Aena estudam o projeto, enquanto a francesa Vinci Airports também monitora o ativo.
O certame integra um acordo de renegociação conduzido com o Tribunal de Contas da União e obriga a atual concessionária a participar da disputa. Hoje, o controle está nas mãos da operadora Changi em parceria com a gestora Vinci Compass, que entrou no negócio no ano passado.
Na semana anterior, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que até seis grupos demonstraram interesse após o road show com investidores, embora fontes avaliem que o número efetivo de propostas possa ser menor.
Como funciona a repactuação
O modelo de “otimização” prevê que, depois de ajustados os parâmetros do contrato, a União leve a concessão novamente ao mercado para testar se algum concorrente oferece condições melhores que o operador atual. A experiência já foi usada em rodovias federais e busca destravar investimentos que ficaram represados por disputas regulatórias.
Segundo especialistas, a lógica reduz incertezas e cria incentivos para acelerar obras e melhorias de serviço. O BNDES, por exemplo, vem ampliando o crédito para infraestrutura aeroportuária, sinalizando apetite por projetos que saiam do papel com regras mais claras.
No caso do aeroporto do Rio, os lances serão por uma nova outorga fixa. O valor mínimo é de R$ 932 milhões, o que garante a concessão até 2039 e a compra da fatia de 49% da Infraero, dando controle total do ativo a quem vencer.
O que muda no contrato
Entre os ajustes estão o fim da exigência de uma terceira pista, a troca da outorga anual fixa por um percentual da receita e a criação de um gatilho de reequilíbrio caso o fluxo de passageiros do Santos Dumont volte a pressionar a demanda do terminal internacional.
O histórico recente ajuda a explicar o interesse estrangeiro. A espanhola Aena chegou à fase final da disputa pelos ativos da Motiva, que acabou vendendo 20 aeroportos na América Latina para a mexicana Asur — movimento que deixou capital mobilizado para novas aquisições no Brasil.
Além disso, a presença de um sócio financeiro robusto na atual concessionária garante que haverá pelo menos um competidor disposto a investir, elevando o nível da concorrência e a chance de o leilão produzir ganhos de eficiência.
Risco e oportunidade
O principal ponto de atenção segue sendo a coordenação entre os dois aeroportos da cidade. Após a pandemia, a restrição temporária de voos no terminal central ajudou a recuperar a demanda do internacional, e o novo contrato tenta blindar a concessão contra choques semelhantes.
Para o governo e para o mercado, a disputa é um teste importante do modelo de repactuação em aeroportos: se houver competição real e propostas robustas, o processo pode virar referência para os próximos projetos de infraestrutura no país.






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