Laudo revela 63 golpes e aponta hemorragia interna na morte de Cláudio Rafael

O exame do IML identificou traumatismo cranioencefálico, fraturas no crânio e lesões em órgãos internos; quatro suspeitos foram indiciados por homicídio triplamente qualificado

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Um laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto detalhou a gravidade das lesões sofridas por Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, que morreu após ser espancado por quatro homens em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em 11 de agosto.

Segundo o documento, a morte foi provocada por hemorragia interna e traumatismo cranioencefálico, além de lesões no baço e no rim esquerdo. A análise das imagens das agressões identificou 63 golpes contra a vítima, distribuídos em quatro momentos.

Cláudio foi atacado depois que seguranças e entregadores de aplicativo suspeitaram, por engano, que ele havia roubado uma bicicleta. O veículo, porém, pertencia à irmã da vítima. Quatro envolvidos estão presos e foram indiciados por homicídio triplamente qualificado.

Lesões graves na cabeça

O exame interno apontou um extenso hematoma sob o couro cabeludo, principalmente no lado direito, além de múltiplas fraturas no crânio. A perícia identificou uma fratura cominutiva nas regiões temporoparietal e occipital, caracterizada pela quebra do osso em vários fragmentos.

Também foram encontradas hemorragias subdurais nos dois lados da cabeça, edema cerebral, contusão na região frontoparietal esquerda e hemorragia subaracnoidea. O laudo registrou ainda a presença de sangue nos ventrículos cerebrais.

Além dos ferimentos na cabeça, Cláudio apresentava diversas marcas e equimoses nas costas, braços, antebraços, pescoço, rosto, região axilar e flanco direito. As lesões lineares observadas no corpo foram consideradas compatíveis com golpes provocados por objeto contundente.

Sangramento atingiu órgãos internos

A necropsia também constatou hemoperitônio, que corresponde ao acúmulo de sangue dentro da cavidade abdominal. O baço apresentava duas lacerações, com aproximadamente 20 por 5 milímetros cada, além de uma lesão no hilo esplênico.

Os peritos identificaram ainda hemorragia na cápsula do rim esquerdo. Segundo o laudo, os ferimentos internos contribuíram para a hemorragia apontada como uma das causas da morte.

O exame foi realizado no IML Afrânio Peixoto entre os dias 14 e 16 de agosto e concluído em 16 de agosto de 2026.

Análise identifica 63 golpes

A análise das imagens permitiu dividir o espancamento em quatro etapas. Na primeira, registrada na região das ruas Barata Ribeiro e Belfort Roxo, foram identificados seis golpes na direção de Cláudio.

Na segunda sequência, foram contabilizados 19 golpes. Depois, houve uma terceira etapa com outros 14 ataques. Quando a vítima já estava gravemente ferida, uma quarta sequência registrou mais 24 golpes.

A soma chega a 63 golpes durante as agressões. O exame também analisou duas lesões lineares e paralelas encontradas no corpo, consideradas compatíveis com a ação de um objeto contundente, como uma barra de ferro, cabo de vassoura ou porrete.

Vítima ficou quase nove minutos sob agressão

Cláudio havia saído de casa para andar de bicicleta na noite de 11 de agosto. Segundo familiares, ele tinha transtornos mentais e falava pouco.

Na Rua Barata Ribeiro, ele foi abordado pelo segurança de rua Davi Santos Machado, que perguntou sobre a bicicleta. Cláudio respondeu que não era dele, já que o veículo pertencia à irmã.

De acordo com a investigação, Davi suspeitou que a bicicleta tivesse sido furtada e chamou dois entregadores que passavam pelo local. Outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, aparece nas imagens retirando a bicicleta de Cláudio à força.

A vítima tentou recuperar o objeto, foi agredida e correu. Mais tarde, sentou-se em frente a um prédio na Rua Felipe Oliveira, onde voltou a ser cercada pelos homens.

As agressões duraram quase nove minutos e foram registradas em vídeo pelos próprios envolvidos. Cláudio não reagiu aos ataques e permaneceu agonizando por cerca de 30 minutos antes da chegada do socorro.

Quatro suspeitos foram indiciados

Davi Santos Machado, de 21 anos, segurança de rua, aparece nas imagens agredindo Cláudio com um cacetete e atingindo principalmente a cabeça da vítima. Inicialmente, ele prestou depoimento como testemunha e negou participação, mas retornou à delegacia no dia seguinte e confessou o crime.

Jorge Luiz Ricardo Dias também é apontado como envolvido. Nas imagens, ele aparece carregando um pedaço de madeira e levando a bicicleta de Cláudio.

Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, entregador, aparece participando das agressões e se entregou à polícia. Ailton José da Silva, também entregador, é outro suspeito identificado nas imagens.

Os quatro foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima. A Polícia Civil ainda investiga a participação de um quinto homem e procura pessoas que teriam presenciado a vítima agonizando sem prestar socorro.

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