O diamante Regent, de 140 quilates e avaliado em cerca de US$ 60 milhões (cerca de R$ 330 milhões), sobreviveu ileso a um dos roubos mais ousados da história recente do Museu do Louvre. A pedra preciosa, uma das joias mais célebres do acervo, permaneceu intocada na Galeria de Apolo, mesmo depois que criminosos invadiram o museu em plena luz do dia e levaram oito peças da coroa francesa.
Segundo a Promotoria da França, o assalto foi executado por ao menos quatro pessoas que chegaram ao Louvre com um caminhão equipado com guindaste, subiram pela fachada, quebraram uma janela e vitrines, e fugiram em duas scooters antes que os seguranças reagissem. O ataque, que durou cerca de quatro minutos, ocorreu por volta das 9h da manhã, quando o museu começava a receber visitantes.
As joias levadas
Entre as peças desaparecidas estão um colar e uma coroa de safiras e diamantes da rainha Maria Amélia de Bourbon (foto abaixo); um conjunto de colar e brincos da imperatriz Maria Luísa, segunda esposa de Napoleão Bonaparte, com 32 esmeraldas e mais de mil diamantes; e um broche da imperatriz Eugênia, adornado com 2.634 diamantes e adquirido pelo Louvre em 2008 por € 6,72 milhões (R$ 42 milhões).

Horas depois, policiais encontraram uma das joias roubadas — a coroa de diamantes e esmeraldas da imperatriz Eugênia — jogada e danificada em uma rua de Paris. A promotora Laure Beccuau, que conduz as investigações, confirmou a recuperação da peça, mas evitou dar detalhes sobre as circunstâncias.
Investigação e repercussão
As autoridades francesas analisam imagens de câmeras de segurança e trabalham com a hipótese de que o grupo tenha usado disfarces de operários para driblar a vigilância. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou o roubo como um “ataque ao patrimônio da França” e afirmou que as joias levadas têm “valor histórico inestimável”.
O Louvre foi imediatamente esvaziado e não reabrirá neste domingo. O episódio reacende críticas antigas à segurança do museu, já afetado por superlotação e falta de pessoal.
Roubo causa constrangimento político
A ousadia do crime provocou forte reação na França. O líder da extrema direita, Jordan Bardella, afirmou que o roubo representa “uma humilhação nacional” e culpou o governo de Emmanuel Macron pela fragilidade do Estado.
O episódio acontece no momento em que Macron tenta emplacar o projeto “Nova Renascença do Louvre”, que prevê investimentos de mais de € 700 milhões (R$ 4 bilhões) até 2031 para modernizar o espaço e criar uma nova galeria dedicada à Mona Lisa.
Mais de um século após o célebre furto da pintura de Leonardo da Vinci, em 1911, o museu volta a ser palco de um escândalo que mistura audácia, falhas de segurança e um golpe doloroso contra o orgulho cultural da França.






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