O jornal Le Parisien divulgou um vídeo que mostra o momento exato em que os ladrões deixavam o Musée du Louvre, em Paris, após o roubo de joias da coroa francesa. As imagens comprovam que os criminosos utilizaram um guindaste ligado a caminhão para invadir o museu, o que escancarou falhas graves de vigilância externa.
As imagens capturam os ladrões descendo por um guindaste — o mesmo utilizado para entrar — e fugindo em motocicletas sem encontrar resistência policial ou de seguranças do museu. Segundo o vídeo, verificaram-se gritos no local, mas nada impediu a fuga dos suspeitos.
Na audiência desta quarta-feira (22), a diretora do Louvre, Laurence des Cars, admitiu que o museu sofreu “uma falha terrível” de segurança e reconheceu que o sistema de câmeras externas não cobria a varanda usada pelos ladrões como ponto de entrada. “Hoje estamos vivendo uma falha terrível no Louvre, pela qual assumo minha parcela de responsabilidade”, declarou.
O roubo em detalhes
O incidente ocorreu por volta das 9h30 locais (cerca de 5h30 no Brasil), apenas meio-hora após a abertura do museu ao público. Dois ladrões adentraram pela fachada voltada para o rio Sena com auxílio de guindaste e arrombaram uma janela na chamada Galerie d’Apollo, que abriga joias da realeza francesa.
Bens roubados avaliados em R$ 550 milhões
Dentro do local, as vitrines foram perfuradas e as peças subtraídas em cerca de sete minutos – tempo impressionantemente curto para um museu de tão alto nível de visitação. O valor estimado do roubo é de aproximadamente 88 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 550 milhões.
Uma das peças — um broche com mais de 2 634 diamantes — estava entre os objetos roubados, assim como colares com safiras e esmeraldas da imperatriz Maria Luísa.
Falhas de segurança que chocaram
Laurence des Cars apontou que, apesar de existirem algumas câmeras perimetrais, “o conjunto é muito insuficiente, não cobre todas as fachadas do Louvre”. Ela destacou que no local da entrada usada pelos criminosos a câmera instalada estava voltada para o oeste e não capturou a varanda utilizada.
Além disso, a executiva informou que apresentou sua renúncia à ministra da Cultura, Rachida Dati, embora esta não tenha sido aceita até o momento. O museu, um dos mais visitados do mundo, reabriu três dias após o crime com reforço de segurança armado e numerosos visitantes, enquanto a Galeria de Apolo permanece fechada.
Repercussões e investigações
O presidente da França, Emmanuel Macron, reagiu via rede social X afirmando que o roubo “é um ataque a um patrimônio que prezamos porque faz parte da nossa história” e garantiu que os responsáveis “serão levados à justiça”.
As autoridades francesas informaram que ao menos quatro suspeitos participaram do crime, e entre as linhas de investigação está a possível encomenda criminosa por colecionador ou envolvimento de crime organizado com lavagem de dinheiro. A promotora Laure Beccuau declarou que “tudo está sendo considerado”.
Contexto de vulnerabilidade
O Louvre é o museu mais visitado do mundo, com cerca de nove milhões de visitantes no último ano, sendo 80% estrangeiros. O episódio escancara como até mesmo instituições aparentemente fortificadas podem estar vulneráveis — e nem sempre por falta de recursos, mas por falhas de cobertura e percepções de risco subdimensionadas.






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