O Vasco foi autorizado pela Justiça a contratar um empréstimo de R$ 80 milhões com a Crefisa, ex-patrocinadora do Palmeiras. A decisão foi foi da juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, da 4ª Vara Empresarial da Capital, e permite o financiamento na modalidade DIP Financing, usada em casos de recuperação judicial para garantir a continuidade das atividades da empresa.
A autorização envolve também a Vasco SAF. O dinheiro será destinado ao pagamento de salários de atletas e funcionários, custos operacionais, tributos, aquisição de direitos econômicos e despesas administrativas, de acordo com o plano de recuperação judicial do clube e da SAF. A Crefisa é presidida por Leila Pereira, que também é presidente do Palmeiras.
A magistrada destacou que o pedido teve aprovação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e dos administradores judiciais Wald Administração e K2 Consultoria Econômica, que consideraram a operação legítima e segura.
“Foram adequadamente comprovadas a legitimidade e a segurança jurídica da operação, que se insere no contexto de medidas estruturantes para o soerguimento empresarial das recuperandas”, escreveu a juíza.
Garantia de 10% das ações da Vasco SAF
O empréstimo será garantido por 10 mil ações ordinárias de classe A da Vasco SAF, equivalentes a 10% do capital social da empresa. O valor inicial da garantia era o dobro, com 20 mil ações (20%), mas foi reduzido após manifestações contrárias do MP e dos administradores judiciais.
Segundo a decisão, a revisão dos termos do contrato foi essencial para que o acordo fosse aprovado sem comprometer ativos estratégicos, como direitos de transmissão, bilheteria, patrocínios e receitas futuras de São Januário.
Operação não precisa de aval do Conselho Deliberativo
A juíza também acatou a justificativa do Vasco de que o Conselho Deliberativo não precisa aprovar a operação, já que o financiamento não envolve venda de patrimônio, mas apenas uso de ações como garantia. O clube argumentou que o Estatuto Social restringe a atuação do Conselho apenas a casos de alienação de bens — o que não se aplica a essa operação financeira.
Medida para evitar colapso financeiro e esportivo
Em seu despacho, a juíza ressaltou que o relatório mensal da administração judicial mostrou queda do saldo de caixa em agosto e risco de deterioração financeira sem medidas emergenciais.
“A operação de financiamento DIP revela-se como medida urgente e essencial para recomposição da liquidez e preservação da continuidade das atividades, evitando reflexos desportivos”, afirmou Caroline Rossy.
Com a liberação judicial, o Vasco poderá usar o valor do empréstimo da Crefisa para manter o funcionamento do clube e da SAF, enquanto segue em processo de recuperação judicial.






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