Mais de sete anos após a morte de um jovem dentro de um supermercado na Barra da Tijuca, a Justiça do Rio decidiu que o caso será analisado por júri popular. A vítima, Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, tinha 19 anos quando morreu após ser imobilizada por seguranças do estabelecimento, em fevereiro de 2019.
A decisão foi proferida pela juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, que entendeu haver elementos suficientes para que os acusados sejam julgados pelo Tribunal do Júri. A data do julgamento ainda não foi definida.
Decisão da Justiça
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Pedro Henrique morreu após ser submetido a um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”, que teria provocado asfixia. O laudo de necropsia apontou que as lesões decorrentes da imobilização foram determinantes para a morte.
Um dos seguranças, Davi Amâncio, foi pronunciado por homicídio qualificado. Na decisão, a magistrada considerou que há indícios de que ele “assumiu o risco de matar” ao manter a imobilização da vítima.
O outro réu, Edmilson Félix Pereira, também foi incluído no julgamento. Segundo a acusação, ele teria sido omisso ao não impedir o desfecho do episódio, apesar de sua função como vigilante no local.
Imagens marcaram o caso
Registros feitos no momento da ocorrência tiveram grande repercussão na época e voltaram a ser exibidos em reportagens recentes. As imagens mostram o jovem já desacordado no chão enquanto um dos seguranças permanecia sobre ele.
Testemunhas relataram que a vítima não reagia durante a imobilização. Em meio à situação, clientes tentaram alertar sobre o estado do jovem. Um deles chegou a dizer que ele estava “roxo”, enquanto uma mulher gritava “está sufocando”.
Mesmo diante dos alertas, a contenção foi mantida. Em determinado momento, o segurança responde a um cliente que tenta intervir: “Não segura, senhor, quem sabe sou eu”. Em outra fala registrada, ele pede silêncio às pessoas ao redor: “Cala a boca”.
Sequência da ocorrência
Segundo relatos reunidos na investigação, Pedro Henrique teria sido suspeito de furto antes da abordagem. Durante a contenção, outro vigilante teria ajudado a imobilizar o jovem, inclusive prendendo suas pernas.
A mãe da vítima presenciou a cena, que terminou com a morte do filho ainda no local. O caso gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre os limites da atuação de seguranças privados.
Julgamento pelo júri
Com a decisão, caberá ao Tribunal do Júri avaliar a responsabilidade dos acusados. Nessa etapa, cidadãos convocados atuarão como jurados e decidirão se houve crime e qual a eventual responsabilização dos envolvidos.
O avanço do processo ocorre após anos de tramitação e marca uma nova fase no caso, que permanece como referência em debates sobre uso da força em abordagens e procedimentos de segurança em estabelecimentos comerciais.






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