A poucas horas da votação que deve definir o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio, partidos de oposição anunciaram que irão boicotar o processo, informa reportagem do jornal O Globo. A decisão, comunicada por parlamentares de legendas como PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL, deve impactar diretamente o quórum da sessão e alterar o peso político da base governista no resultado.
A estimativa entre deputados é de que ao menos 25 parlamentares deixem de participar da votação. Para que a eleição ocorra, é necessária a presença mínima de 36 deputados, o equivalente à maioria absoluta da Casa.
Boicote como estratégia política
A decisão da oposição ocorre em meio a críticas ao modelo adotado para a votação, que será aberta. Deputados, especialmente de partidos de esquerda, argumentam que esse formato expõe os parlamentares a pressões e possíveis retaliações políticas.
Nos bastidores, integrantes da oposição avaliam que a ausência coletiva também funciona como uma forma de esvaziar politicamente o processo e fortalecer a contestação judicial já em andamento.
Além do boicote, houve recuo na tentativa de apresentar uma candidatura competitiva. O deputado Vitor Junior, do PDT, retirou seu nome da disputa após a confirmação de que o voto seria aberto. Aliados consideraram que não havia ambiente para uma disputa equilibrada nessas condições.
Base articula vitória de Douglas Ruas
Enquanto a oposição se organiza para não participar da votação, a base aliada trabalha para consolidar a eleição do deputado Douglas Ruas, do PL, apontado como favorito. A avaliação entre aliados é de que, mesmo com o esvaziamento provocado pelo boicote, ele deve alcançar uma maioria confortável entre os presentes.
A expectativa é de que Ruas reúna ao menos 40 votos, número suficiente para garantir a vitória mesmo em um cenário de menor participação.
Na manhã desta sexta-feira, parlamentares de partidos alinhados ao governo se reuniram no gabinete do presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, também do PL, para alinhar estratégias e discursos. O encontro abordou tanto a eleição quanto os possíveis desdobramentos após a definição do novo comando da Casa.
Plano alternativo diante de riscos jurídicos
Entre os cenários discutidos, a base já considera a possibilidade de impedimentos jurídicos que possam afetar Douglas Ruas, especialmente em relação à eventual sucessão no governo do estado.
Caso surjam obstáculos legais, a estratégia avaliada é que, mesmo eleito presidente da Alerj, Ruas se licencie do cargo para se dedicar à campanha eleitoral. Com isso, Delaroli permaneceria como presidente em exercício, garantindo continuidade administrativa e preservando o arranjo político estabelecido.
A alternativa é vista como uma forma de mitigar riscos sem abrir mão do controle político do Legislativo.
Disputa deve avançar para o Judiciário
A tensão em torno da eleição não se limita ao plenário da Alerj. O PDT ingressou com uma ação judicial na madrugada desta sexta-feira pedindo que a votação seja realizada por voto secreto. O partido sustenta que o modelo aberto compromete a independência dos parlamentares.
A iniciativa se soma a outras movimentações jurídicas que já questionam o processo. Deputados de esquerda indicam que, caso a eleição seja mantida com voto aberto e o resultado confirmado, haverá recurso ao Supremo Tribunal Federal.
A estratégia será tentar anular o pleito e solicitar a convocação de uma nova eleição sob regras diferentes, especialmente com a adoção do voto secreto.
Segundo esses parlamentares, o principal argumento será o de que o formato atual não assegura liberdade plena de voto, uma vez que deputados poderiam sofrer pressões internas ou externas em razão de suas escolhas.





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