A vereadora Mônica Benício (PSOL), viúva de Marielle Franco, afirmou que o julgamento dos acusados de mandar matar a parlamentar e o motorista Anderson Gomes pode representar um divisor de águas no combate à impunidade no Brasil. A análise do caso começa nesta terça-feira (24) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista à Globonews, Mônica destacou a expectativa da família por uma condenação exemplar. Segundo ela, a responsabilização dos mandantes é fundamental para demonstrar que crimes cometidos por agentes do Estado não ficarão sem punição.
A sessão está prevista para se estender até quarta-feira (25) e julgará cinco réus apontados pela investigação como integrantes da estrutura que articulou o atentado ocorrido em março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro.
Expectativa por condenação histórica
Mônica Benício relembrou a dificuldade enfrentada ao longo das investigações, especialmente diante da desconfiança nas instituições. Ela citou que o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro e hoje réu no processo, foi uma das primeiras autoridades a receber a família e prometer rigor na apuração.
O caso só ganhou novo rumo quando deixou a esfera da Polícia Civil e passou a ser conduzido pela Polícia Federal. Para a vereadora, a demora de cinco anos até a prisão dos supostos mandantes reforça o histórico de impunidade envolvendo autoridades públicas no país.
“O Brasil está acostumado a não punir autoridades que cometem crimes. Chegar até aqui foi difícil, mas esperamos que o STF mostre que as instituições funcionam”, declarou.
Crime que marcou o país
Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados na noite de 14 de março de 2018. O veículo em que estavam foi seguido por criminosos, que efetuaram diversos disparos. A assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque.
Segundo Mônica, o julgamento representa um momento decisivo não apenas para a família, mas para a história do Brasil. Ela defende que a eventual condenação sirva como mensagem clara contra a violência política e o abuso de poder.
Entre os réus estão o deputado federal Chiquinho Brazão e o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão, apontados pela Polícia Federal como mandantes do crime.
Quem são os acusados
Também respondem ao processo Rivaldo Barbosa, acusado de ser o mentor intelectual do atentado; Ronald Paulo Alves Pereira, conhecido como Major Ronald; e Robson Calixto Fonseca, o Peixe, ex-policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão.
A denúncia inclui crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa. O executor confesso, Ronnie Lessa, já foi condenado em outro processo.
Durante os interrogatórios no STF, os acusados negaram participação. Chiquinho Brazão afirmou ter boa relação com Marielle e disse não conhecer Ronnie Lessa. Domingos Brazão declarou que preferia ter morrido no lugar da vereadora e alegou inocência.
Como será o julgamento
O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes, que apresentará o relatório inicial. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República fará a sustentação da acusação, e os advogados terão uma hora cada para apresentar as defesas.
Após essa fase, votam os ministros da Primeira Turma: além de Moraes, participam Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. São necessários ao menos três votos para condenação ou absolvição.
Caso haja condenação, os ministros definirão posteriormente o tamanho das penas. Tanto a acusação quanto as defesas poderão recorrer da decisão.
Para Mônica Benício, o desfecho do julgamento pode consolidar uma resposta institucional aguardada há quase oito anos. “É um momento histórico. Esperamos que seja um exemplo de que brutalidades como essa não podem acontecer em nenhum contexto”, afirmou.






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