Vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle, comenta julgamento dos assassinos: “Passei os últimos 2422 dias lutando para que isso acontecesse”

Psolista fala em “tortura” pela espera de 6 anos por respostas sobre a morte de sua companheira

Com o julgamento dos ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz — que confessaram, respectivamente, efetuar os disparos e dirigir o carro usado na emboscada contra Marielle Franco e Anderson Gomes — marcado para esta quarta-feira, Monica Benicio, viúva da parlamentar, relata que foram “2422 dias lutando para que isso acontecesse”. Em publicação no Instagram, a parlamentar desabafa e fala em idas a “inúmeros países, incontáveis cidades”, além do contato com “milhares de pessoas”.

Mônica Benício, atualmente também vereadora no Rio pelo PSOL, conta que reza para que o julgamento “acabe logo”, já que será preciso “reviver tudo com riqueza de detalhes”. Na publicação, Monica usou ainda uma foto em que está sozinha, usando o adesivo de campanha, com o número usado por Marielle nas urnas, além de um broche estampado com a frase “Marielle presente!”.

“Queria poder transmitir o sentimento de alívio que a condenação dos assassinos de Marielle e Anderson deveria trazer a nós, familiares. Mas a verdade é que é uma tortura passar tanto tempo sem respostas, tanto tempo esperando por um fiapo de esperança e, depois de tanto tempo, não deixar de acreditar que ainda há justiça nesse país”, diz trecho da postagem.

Monica Benício, que, no pleito deste ano, foi reeleita para seu segundo mandado como vereadora, destaca ainda que esse julgamento é uma “exceção no país que mais mata defensores de direitos humanos no mundo”. Para ela, essa particularidade “é a chance de olharmos francamente para um novo futuro”.

A legenda da publicação é encerrada com um desejo de Monica, de que este dia seja um “marco” da “capacidade resiliente de nos mantermos firmes a um propósito”: de “lutar por um mundo melhor, onde a injustiça não pode ser a regra”.

Para a família, uma etapa

Como ainda há um processo que tramita no STF contra os supostos mandantes do crime — o deputado federal Chiquinho Brazão, o conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão, e o ex-chefe de Polícia Civil Rivaldo Barbosa, que estão presos desde março — a mãe de Marielle, Marinete da Silva, e a irmã da vereadora e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacaram que este julgamento é apenas uma das etapas para punir os envolvidos no crime.

— É uma expectativa muito grande. Depois de seis anos e sete meses, nós vamos ter justiça, e nós precisamos de uma justiça digna na condenação desses homens, que são réus confessos. Temos nos mobilizado enquanto família até hoje, enquanto instituto, sociedade, para termos isso — disse Marinete, em entrevista ao programa “Encontro com Patricia Poeta”, da TV Globo.

A mãe da parlamentar falou dos anos de busca por respostas e a surpresa com a revelação da participação de Rivaldo Barbosa. O delegado esteve à frente do caso no início das investigações. Dias depois do crime, ele chegou a se encontrar com a família de Marielle na casa em que viviam para falar sobre o compromisso que assumia na solução do assassinato. A prisão do ex-chefe da Polícia Civil em março deste ano, quando também foram levados à cadeia os irmãos Brazão, surpreendeu a todos, lembra Anielle:

— Tem as imagens dele sentado ao lado dos meus pais, e ele falava para os meus pais: “Faço questão, uma questão de honra, a gente vai desvendar” — lembrou a ministra. — Para a gente, naquele 25 de março, se não me falha a memória, num domingo, foi a maior surpresa, mas também a maior decepção. Porque a gente espera por justiça. Rever essas imagens me embrulha o estômago.

A viúva do motorista Anderson Gomes, Ágatha Reis, também falou sobre o julgamento e como foram os últimos seis anos sem o marido, tendo que viver a maternidade — o filho Arthur tinha 1 ano e 10 meses na época da morte do pai.

— Me peguei pensando em tudo o que aconteceu nesses últimos seis anos. Não só o tempo que levamos buscando justiça pelo Anderson e pela Marielle, mas também a pressão que a gente teve que fazer muitas vezes, toda a caminhada que foi necessária para chegar até aqui, chegar até o júri.

Com informações do GLOBO.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading