Mais de meio século depois do assassinato de Pier Paolo Pasolini, o Ministério Público de Roma reabriu a investigação sobre a morte do escritor e cineasta italiano. O artista foi morto na noite entre 1º e 2 de novembro de 1975, em Ostia, região litorânea da capital italiana.
A retomada das apurações atende a um pedido do advogado Stefano Maccioni. Segundo ele, novas imagens e evidências indicam que Pino Pelosi, condenado pelo assassinato, não estava sozinho no local naquela noite. O advogado também informou que uma nova testemunha se apresentou, mas não revelou sua identidade.
Condenado mudou versão sobre o assassinato
Pelosi tinha 17 anos e era garoto de programa quando assumiu a autoria do crime. Condenado em 1976, afirmou inicialmente que havia matado Pasolini porque o cineasta tentara abusar sexualmente dele.
Em 2005, entretanto, apresentou outra versão. Disse que o artista havia sido espancado até a morte por um grupo de criminosos que pretendia “dar-lhe uma lição”. Também alegou ter sido pressionado a confessar o assassinato.
Pelosi obteve liberdade condicional em 1983 e morreu de câncer em 2017, aos 58 anos. Sua mudança de relato ampliou os questionamentos sobre as circunstâncias da morte e a possível participação de outras pessoas.
Advogado pede que testemunhas rompam o silêncio
Maccioni espera que a reabertura permita esclarecer dúvidas que atravessaram décadas. Em declarações reproduzidas por agências europeias, o advogado pediu a colaboração de pessoas que possam ter informações sobre o assassinato.
“Confiamos que o Ministério Público de Roma finalmente poderá fornecer as respostas que vêm buscando há muitos anos”, disse Maccioni. “Ao mesmo tempo, apelo que todos aqueles que optaram por permanecer em silêncio sobre o que sabem até agora a se manifestarem e falarem”.
A morte do cineasta provocou comoção e permanece cercada de perguntas. Parte dos admiradores e historiadores considera a possibilidade de motivação política ou de um crime de ódio. Pasolini era abertamente gay, comunista e se destacava pelas críticas contundentes que fazia à sociedade.
Obra é um marco do cinema italiano e mundial
Além de cineasta, Pasolini foi poeta, romancista e comentarista político. Sua filmografia inclui Mamma Roma, de 1962, O Evangelho Segundo São Mateus, de 1964, e a adaptação para as telas de Édipo Rei, clássico de Sófocles, lançada em 1967.
Seu último longa, Salò, ou os 120 Dias de Sodoma, foi lançado postumamente, em 1975. A obra se vale de violência explícita para criticar o fascismo e foi uma das mais controversas de sua trajetória, além de uma referência recorrente nas discussões sobre seu legado artístico.







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